SÉRIE ESPECIAL: PLANETA EM ALERTA – 60 ANOS DE MUDANÇA, RUMO À COP 30
A era dos extremos já chegou
Matéria 3 de 5 – Os números não mentem — e eles gritam. Entre 2020 e 2023, o Brasil registrou 7.539 desastres climáticos provocados por chuvas intensas, um aumento de 222,8% em relação aos anos anteriores. Quando comparado à década de 1990, o salto é ainda mais impressionante: um crescimento de 250% em apenas quatro anos. Não é uma tendência. É uma aceleração sem precedentes.(Matéria 1)
O ano de 2024 foi o mais quente já registrado no país. As inundações no Rio Grande do Sul e a seca histórica na Amazônia e no Pantanal deixaram marcas profundas. Mais de 180 pessoas morreram apenas nas chuvas de 2024. Famílias inteiras perderam suas casas, seus meios de subsistência — e, em muitos casos, sua própria história.
O peso global da catástrofe climática
No cenário mundial, os dados são igualmente alarmantes. Desastres climáticos mataram 2 milhões de pessoas nos últimos 50 anos. Os prejuízos financeiros explodiram: de US$ 175 bilhões na década de 1970 para US$ 1,38 trilhão nos anos 2010. Segundo o ex-vice-presidente americano Al Gore, em 2025 esse custo global já alcança US$ 3,5 trilhões.
As secas responderam por 650 mil mortes; as tempestades, por 577 mil; as enchentes, por 58,7 mil; e as temperaturas extremas, por mais de 55 mil. Por trás de cada número, há rostos, nomes e comunidades inteiras desaparecidas sob a lama ou a água.
Desigualdade climática: o peso maior sobre os mais pobres
O padrão é cruel e persistente: 90% das mortes por desastres naturais ocorrem em países em desenvolvimento. A pobreza amplifica a vulnerabilidade. Quem não tem recursos para reconstruir, fica para trás. Quem não tem acesso à informação, não consegue escapar a tempo.
A crise climática é também uma crise de justiça social — um desequilíbrio entre quem causa e quem paga o preço.(Matéria 2)
A urgência da prevenção
Soluções existem, mas exigem investimentos em sistemas de alerta, infraestrutura resiliente e planejamento urbano inteligente. O problema é que países mais pobres não têm os recursos necessários para implantar essas medidas.
A COP 30, em Belém, deve encarar esse dilema ético e econômico: o mundo rico criou a crise; o mundo pobre vive as consequências. O planeta já está na era dos extremos — e a conta, mais uma vez, recai sobre os mais vulneráveis.
Fonte: Equipe Guarulhos em Foco / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Bliblioteca de imagem/Canvas














