SÉRIE ESPECIAL: PLANETA EM ALERTA – 60 ANOS DE MUDANÇA, RUMO À COP 30
Matéria 4 de 5: Belém será palco de virada histórica no debate ambiental
“Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá.”
Verso imortal de Canção do Exílio, de Gonçalves Dias (1843), escrito quando o poeta vivia longe de casa, ecoa hoje com um novo sentido. A terra que inspirou exaltação, saudade e pertencimento agora clama por preservação.
“Verde que te quero verde. Verde vento. Verdes ramas.”
A força imaginativa do espanhol Federico García Lorca, em Romance Sonâmbulo (1928), atravessa o tempo e se reencontra com a Amazônia — o coração verde do planeta — onde a poesia da natureza volta a dialogar com a urgência climática.
A natureza outrora reverenciada em versos tem, em Belém, um reencontro com a modernidade.
Entre os dias 10 e 21 de novembro de 2025, a capital paraense sediará a COP 30, conferência que promete ser um marco de virada na política ambiental global.
Mais do que um evento, o encontro reunirá governos, empresas, investidores e a sociedade civil em torno da Agenda de Ação Climática, um pacto que pretende transformar promessas em compromissos tangíveis.
Belém, com suas palmeiras e rios, carrega o simbolismo perfeito: o lugar onde o verde da poesia encontra o verde da economia.
A COP 30 promete fazer da floresta o palco da virada — um espaço onde o mundo poderá, enfim, transformar a crise em oportunidade e a verde esperança em política concreta.
Brasil propõe dez ações para um novo pacto ambiental
Entre as soluções propostas pelo Governo Federal, estão:
- Mitigação de emissões de gases de efeito estufa;
- Adaptação climática de cidades e comunidades vulneráveis;
- Transição energética justa, com foco em fontes limpas e renováveis;
- Fundo de preservação de florestas, para manter a Amazônia viva;
- Moeda verde e financiamento climático, instrumentos que convertem responsabilidade em investimento sustentável.
O Brasil apresentou dez propostas estratégicas para emergirem da conferência, divididas em seis eixos que tratam de mitigação, adaptação e implementação. Entre elas estão a transição energética, a preservação das florestas tropicais e a redução das emissões de gases de efeito estufa.
A criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre promete recompensar países que preservam seus biomas, transformando a Amazônia — responsável por cerca de 20% do oxigênio do planeta — em ativo global de valor ambiental e econômico.
Da prevenção à reconstrução
As ações também envolvem medidas preventivas e reativas: desde sistemas de alerta e infraestrutura resiliente até apoio às comunidades atingidas por desastres climáticos. Além disso, propõem uma mudança sistêmica com foco na agricultura regenerativa, educação ambiental e valorização do conhecimento indígena.
Como lembrou um dos coordenadores da conferência, “a mãe do Brasil é indígena, e sua sabedoria pode guiar o futuro do planeta”.
Um alerta que pede resposta
A COP 30 é vista como a oportunidade de transformar seis décadas de ciência em ação. O alerta está dado. Agora, a resposta depende de todos nós — governos, empresas e cidadãos — para que o legado do clima não se resuma a promessas, mas se traduza em sobrevivência.
Fonte: Equipe Guarulhos em Foco / Redação: Eraldo Costa / Imagem:














