Castro é aplaudido em igreja e pesquisas mostram que governador mantém apoio popular
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), realiza nesta segunda-feira (3) uma reunião com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), após a declaração polêmica do chefe do Executivo fluminense, que chamou traficantes presos durante a megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha de “filhotes dessa ADPF maldita”.
A declaração, feita após a operação que resultou na morte de 121 pessoas, provocou forte reação do STF, que vê na fala um ataque direto à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, decisão que impõe limites à atuação policial em comunidades do Rio de Janeiro.
Reação do STF e cobrança por transparência
Após o episódio, Alexandre de Moraes — que assumiu temporariamente a relatoria da ADPF 635 devido à aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso — convocou Cláudio Castro, o prefeito Eduardo Paes, representantes da Defensoria Pública e do Ministério Público para prestar esclarecimentos sobre a megaoperação.
O ministro determinou a preservação integral de todas as provas relacionadas à ação, incluindo gravações de câmeras corporais, laudos periciais e relatórios de campo. Moraes também solicitou detalhamento sobre o uso da força, a justificativa da operação e as medidas de apoio às vítimas e familiares.
Segundo o STF, a reunião visa garantir transparência e responsabilidade institucional, evitando que operações em áreas densamente povoadas repitam o histórico de letalidade excessiva e falta de controle estatal.
O que diz a ADPF das Favelas
A ADPF 635, apresentada em 2020 por entidades de direitos humanos, foi acolhida pelo STF com o objetivo de reduzir mortes em ações policiais e estabelecer protocolos de segurança para operações em comunidades.
A decisão determina que essas ações só ocorram em situações excepcionais, com aviso prévio ao Ministério Público, presença de ambulâncias, e proibição de incursões em escolas, hospitais ou locais de grande circulação.
Desde então, estudos apontam queda significativa na letalidade policial nas regiões cobertas pela medida. Entretanto, setores das forças de segurança afirmam que a decisão teria limitado a capacidade operacional do Estado no enfrentamento ao crime organizado.
Tensão política e busca por protagonismo
O embate entre o STF e o governo do Rio ocorre em um momento de tensão política e disputa de narrativas.
Enquanto o Supremo busca reafirmar o cumprimento das normas constitucionais e a proteção de civis, Cláudio Castro tenta capitalizar politicamente o endurecimento das ações policiais.
Em tom provocativo, o governador declarou: “Esses bandidos são filhotes dessa ADPF maldita”, sugerindo que a decisão do STF enfraqueceu a polícia e fortaleceu o tráfico. Moraes, em contrapartida, reiterou que “o combate ao crime não pode se confundir com a violação de direitos humanos”.
Castro canta em igreja e mantém apoio popular
No domingo (2), Castro participou de uma celebração na Paróquia Santa Rosa de Lima, na Barra da Tijuca. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o governador sendo aplaudido por fiéis enquanto canta no pavimento superior da igreja.
A assessoria de Castro confirmou a autenticidade das imagens e destacou que ele costuma cantar semanalmente no local, onde é integrante da Renovação Carismática Católica.
O episódio ocorre em meio ao aumento de sua popularidade após a operação policial. Segundo pesquisa Datafolha divulgada no sábado (1º), 40% dos moradores do Rio e da região metropolitana avaliam o governo Castro como “bom” ou “ótimo”, o maior índice desde 2022.
Na área de segurança pública, 37% dos entrevistados consideraram a gestão positiva, enquanto 37% a classificaram como “ruim ou péssima”.
Fonte: https://www.youtube.com/@opovo / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Nano Banana














