Manifestantes brasileiros que deixaram o país após o 8 de janeiro organizam atos em Buenos Aires durante evento com ministros do STF.
Um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro que vive em autoexílio na Argentina organizou protestos nesta quinta-feira (6) e sexta-feira (7) em frente à Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, onde ocorre o Fórum de Buenos Aires, promovido pelo Instituto de Direito Público (IDP). O evento conta com a presença dos ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Os manifestantes exibem faixas em português, espanhol e inglês pedindo “liberdade” e denunciando o que chamam de “perseguição política” no Brasil. Entre os nomes citados nos cartazes estão os presidentes Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina), a quem pedem apoio internacional.
Incidente durante o evento
Durante uma palestra de Gilmar Mendes, o brasileiro Symon Filipe de Castro Albino, réu por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, interrompeu o ministro e declarou:
“Estou há três anos sem ver meus filhos, por um crime que eu não cometi. Não há provas.”
Symon se apresentou como “refugiado político na Argentina” e acusou o STF de condenar manifestantes sem provas de que participaram das invasões aos prédios dos Três Poderes. Ele foi retirado do local por seguranças. Mendes não se manifestou publicamente, e o fórum prosseguiu normalmente.
Contexto dos manifestantes
Desde os episódios de 8 de janeiro de 2023, centenas de brasileiros ligados às manifestações em Brasília atravessaram a fronteira com a Argentina e vivem em situação de autoexílio. Muitos respondem a processos por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado e dano ao patrimônio público.
Symon Albino, de 34 anos, vive há dois anos em Buenos Aires. Ele afirma ter ficado 65 dias acampado em frente ao Quartel-General do Exército, em Campinas (SP), e responde a 16 acusações criminais. Suas contas bancárias estão bloqueadas, e o julgamento está marcado para ocorrer em sessão virtual do STF entre os dias 14 e 25 de novembro.
Repercussão e impacto diplomático
O incidente repercutiu entre os participantes do fórum, que incluía autoridades e personalidades internacionais, como o banqueiro André Esteves e o ex-presidente da Colômbia Iván Duque. A presença de um réu do 8 de janeiro em um evento com ministros do STF reacendeu o debate sobre segurança institucional, liberdade de expressão e credenciamento de estrangeiros em eventos oficiais.
A manifestação também lança luz sobre a dimensão internacional do embate político brasileiro, que extrapola fronteiras e expõe divergências sobre os limites do direito de protesto e as garantias processuais dos acusados.
Fonte: Metrolpoles / Redação: Eraldo Costa / Imagem:














