“É o Amor” se declara à política e larga o especial de Natal no SBT.
O cantor Zezé Di Camargo pediu publicamente ao SBT que cancele a exibição do especial “Natal é Amor”, gravado e previsto para ser exibido no dia 17 de dezembro. O pedido surgiu depois da participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um evento de lançamento do canal SBT News, realizado pela emissora. Em vídeo publicado nas redes sociais, o artista criticou a presença do chefe do Executivo e questionou a direção editorial do canal diante do novo cenário político.
Pedido motivado por discordância política
No vídeo, Zezé Di Camargo expressa sua insatisfação com o que percebeu como uma mudança institucional no posicionamento da emissora. Para ele, a presença do presidente da República em um evento do SBT contrasta com aquilo que, segundo o cantor, sempre foi a tradição e o pensamento do fundador Silvio Santos. Diante disso, o artista solicitou que o especial de Natal — já gravado nos estúdios da emissora — seja retirado da grade de programação.
Zezé mencionou que não quer decepcionar parte do público que o acompanha e compartilha de suas opiniões. “Não quero frustrar pessoas que pensam como eu e me acompanham há tantos anos”, afirmou em trecho do vídeo, intensificando a posição de discordância com a emissora.
Do título à tensão: onde ficou o amor?
A ironia do momento merece reflexão. O programa que Zezé questiona se chamar “Natal é Amor” — expressão que evoca fraternidade, acolhida e união — é justamente o que ele pede para não ser exibido. Essa contradição é mais do que um jogo de palavras: ela aponta para uma tensão crescente entre posicionamentos pessoais e compromissos profissionais no meio artístico.
Além disso, a trajetória de Zezé Di Camargo pelos palcos e programas do país mostra que ele já circulou livremente por emissoras, cidades e eventos que recebem representantes de governos de diferentes espectros políticos. Isso levanta uma pergunta inevitável: se a lógica de veto por discordância política se generalizasse, será que artistas teriam de recusar convites em municípios ou eventos onde políticos de que discordam estão presentes? Ou será que a própria arte, o profissionalismo e a música atravessam mais do que uma discordância momentânea?
O episódio, mais do que um pedido de cancelamento, acende um debate sobre os limites entre posicionamento público e compromisso artístico. Afinal, quando o título de um especial é amor, vale questionar: onde ficou o amor — e o profissionalismo — na hora de decidir?
Especial já gravado e convidados presentes
O especial “Natal é Amor” foi gravado na noite da última terça-feira, 11 de dezembro, nos estúdios do SBT, reunindo artistas como Alexandre Pires e Paula Fernandes. A plateia contou com presença de convidados da emissora, fãs, amigos e familiares do cantor, em uma noite que teve celebração musical e clima de confraternização antes da polêmica.
Embora o programa esteja finalizado, a decisão de Zézé de pedir o cancelamento fez com que o tema ganhasse repercussão nas redes sociais e virasse pauta no meio artístico e midiático.
Decisão da emissora e repercussão pública
A situação levou a direção do SBT a se reunir na manhã desta segunda-feira (15) para debater o assunto. No entanto, de acordo com a coluna de Flávio Ricco, no portal LeoDias, o canal de Silvio Santos decidiu não acatar o pedido de Zezé Di Camargo.
Com isso, o especial de fim de ano do sertanejo será mantido na grade de programação da emissora e irá ao ar na próxima quarta-feira (17), às 23h, logo após o Programa do Ratinho.
Quem decide o repertório: a política ou a música?
O episódio ilustra como decisões editoriais e posicionamentos pessoais podem ultrapassar o campo artístico e entrar no terreno político. Também evidencia como símbolos e narrativas, como a própria ideia de um especial de Natal, podem ser reinterpretados ou tensionados diante de mudanças no cenário institucional.
Fonte: www.msn.com/pt-br/noticias / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Reprodução redes sociais














