O confronto público entre o pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ganhou destaque nacional neste fim de semana ao colocar no centro do debate a CPMI do INSS, comissão que apura fraudes e descontos indevidos em benefícios previdenciários. O tema mobiliza o Congresso e desperta atenção social por atingir diretamente aposentados e pensionistas, grupo historicamente vulnerável a abusos financeiros.
Desde o início dos trabalhos, a CPMI busca esclarecer a atuação de entidades, intermediários e possíveis beneficiários do esquema. Nesse contexto, declarações recentes de Damares ampliaram a tensão política e dividiram aliados do campo conservador.
Declarações da senadora e reação do pastor
Em entrevista, Damares Alves afirmou que documentos analisados pela CPMI indicariam a presença de “grandes igrejas” e líderes religiosos em transações suspeitas, relacionadas às fraudes investigadas. A fala repercutiu rapidamente e provocou reação direta de Silas Malafaia.
O pastor, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, publicou vídeo nas redes sociais exigindo nomes e provas. Em tom crítico, classificou a declaração como uma “afronta” e chamou a senadora de “linguaruda”, argumentando que generalizações colocariam instituições religiosas sob suspeita sem individualização de responsabilidades.
Divulgação de nomes após pressão pública
Após a cobrança, Damares divulgou uma lista de igrejas e pastores citados em requerimentos oficiais da CPMI. Segundo a senadora, os nomes constam em pedidos formais de convocação, convite ou transferência de sigilo, apresentados ao colegiado para aprofundar a apuração dos fatos.
A parlamentar ressaltou que a divulgação não representa condenação, mas reflete procedimentos previstos no funcionamento de uma comissão parlamentar de inquérito.
Igrejas e líderes citados nos requerimentos
Igrejas com pedido de transferência de sigilo
- Adoração Church.
- Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo.
- Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch).
- Igreja Evangélica Campo de Anatote.
Líderes religiosos com convite ou convocação
- Cesar Belucci.
- André Machado Valadão, também alvo de pedido de quebra de sigilo.
- Péricles Albino Gonçalves.
- Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso ligado ao Banco Master.
- André Fernandes.
Divergências internas e disputa de narrativas
Enquanto Malafaia sustenta que não há comprovação de envolvimento de grandes igrejas e critica o que vê como exploração política do tema, Damares reafirma que os documentos são públicos e que cabe à CPMI investigar sem distinções ideológicas ou religiosas.
Nos bastidores, o debate revela uma disputa de narrativas dentro da própria direita, ao mesmo tempo em que pressiona a comissão a demonstrar rigor técnico e equilíbrio institucional.
Possível convocação de Silas Malafaia
Há um requerimento para ouvir Silas Malafaia na CPMI do INSS, protocolado após o embate público. A decisão, porém, depende de votação dos membros e da avaliação do presidente da comissão sobre a pertinência do depoimento ao escopo da investigação.
Enquanto isso, a CPMI segue como um campo minado, onde política, fé e dinheiro se cruzam. Quando a luz incide sobre áreas antes obscuras, a leitura se torna mais clara e reveladora. A vela, neste caso, não está sobre livros religiosos, mas sobre livros contábeis. No Brasil, a máxima das CPIs segue atual: todos sabem como começam, mas, em ano eleitoral, e dependendo da direção para onde a vela aponta, poucos arriscam prever como terminam. O desfecho quase sempre passa pela interpretação dos fatos e pela disposição de “velhos” aliados em manter ou romper silêncios.
Fonte: Metropoles / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação/Montagem: Gira Bahia














