A Polícia Civil do Distrito Federal investiga mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Até o momento, três óbitos são tratados como suspeitos, e a apuração reúne dados clínicos, depoimentos e registros internos da unidade.
Investigados e informações levantadas
Três técnicos de enfermagem foram presos preventivamente. Conforme consta nos autos, os investigados possuem vínculos religiosos de matriz evangélica, informação registrada no contexto da investigação, sem que haja, até o momento, qualquer relação estabelecida entre crença pessoal e os fatos apurados.
A Polícia Civil ressalta que a religiosidade não é tratada como motivação, mas apenas como dado biográfico levantado durante os depoimentos e análises de perfil.
Um dado alarmante revelado pelas investigações é que as três vítimas identificadas — Miranilde Pereira (75), João Clemente (63) e Marcos Moreira (33) — sofriam de obesidade
Entre os elementos analisados, a polícia confirmou que todas as vítimas apresentavam obesidade, condição que exige protocolos específicos de cuidado intensivo maior risco de complicações cardiovasculares. A investigação avalia se há um possível padrão de escolha ou se o fator representa coincidência clínica, comum em ambientes de alta complexidade.
Depoimentos citam intenção de “aliviar o sofrimento”
Durante os interrogatórios, um técnico de enfermagem e uma técnica, afirmaram que suas condutas teriam buscado “diminuir o sofrimento” dos pacientes. A polícia registrou a declaração como parte das versões apresentadas, sem atribuir validade conclusiva ao argumento.
“Trata-se de uma alegação dos investigados, que será confrontada com provas técnicas, periciais e documentais”, informou a Polícia Civil.
Perfil Detalhado dos Suspeitos
A investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) aponta para um grupo de jovens profissionais, todos com menos de 30 anos, que atuavam de forma coordenada .
| Suspeito | Idade | Perfil e Vida Pregressa | Papel no Crime |
| Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo | 24 anos | Casado, frequentador da Congregação Cristã no Brasil. Técnico há 5 anos e estudante de fisioterapia. Atuou em diversos hospitais . | Executor Principal. Confessou os crimes. Alegou “alívio do sofrimento” das vítimas . |
| Amanda Rodrigues de Sousa | 28 anos | Mãe, se identifica como evangélica nas redes sociais, intensivista e instrumentadora cirúrgica. Amiga de longa data de Marcos Vinícius . | Coautoria/Vigilância. Atuava na cobertura para que os crimes não fossem flagrados . |
| Marcela Camilly Alves da Silva | 22 anos | Iniciante na área (primeiro emprego). Foi jovem aprendiz no Hospital da Criança de Brasília em 2022 . | Coautoria/Negligência. Recebia instruções de Marcos e admitiu arrependimento . |
Precedente do Paraná reforça limites legais
O caso remete ao episódio envolvendo Virgínia Soares de Souza, ex-chefe da UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, investigada por mortes entre 2006 e 2013. Em 2025, o Superior Tribunal de Justiça anulou provas, ao considerar que houve coleta genérica de prontuários, sem delimitação legal adequada.
A decisão do STJ consolidou o entendimento de que provas devem ser específicas, proporcionais e legalmente fundamentadas, parâmetro que também orienta a investigação no Distrito Federal.
Caso segue sob segredo de Justiça
Os investigados permanecem presos preventivamente e podem responder por homicídio qualificado, caso as acusações sejam confirmadas. A Polícia Civil apura se há relação com outros hospitais onde os profissionais atuaram.
O processo segue sob segredo de Justiça, e as autoridades destacam que nenhuma conclusão definitiva será antecipada.
Fonte: www.oglobo.globo.com / Redação: Eraldo costa / Imagem: Técnico de enfermagem aplicou desinfetante dez vezes em uma das vítimas — Foto: Divulgação / Polícia Civil do DF














