Atividade alia cultura local, inclusão social e autonomia
Um prato tradicional de Guarulhos ganhou protagonismo em uma oficina culinária voltada a alunos com deficiência visual atendidos pelo projeto Práticas Educativas para Inclusão Social (Peis). A atividade ocorreu nesta quinta-feira (22), na sede da Subsecretaria de Acessibilidade e Inclusão, vinculada à Secretaria de Direitos Humanos, responsável pela coordenação do projeto.
A proposta apresentou o guisado guarulhense, receita histórica elaborada com milho, mandioca, arroz e pinhão de araucária, combinados com uma proteína à escolha, como frango, porco ou peixe. Mais do que ensinar um preparo culinário, a oficina buscou fortalecer vínculos culturais e ampliar experiências sensoriais.
Receita simples, história profunda
O guisado guarulhense remonta ao século XVIII e era consumido durante a tradicional Festa de Bonsucesso, especialmente no mês de agosto. Os ingredientes eram cultivados por famílias que viviam no entorno da Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, no atual bairro de Bonsucesso. Além de nutritivo, o prato se destacava pela simplicidade e pelo aproveitamento de produtos locais.
Essas informações históricas foram compartilhadas durante a oficina e têm como base pesquisas do historiador Elton Soares de Oliveira, reunidas no livro Revelando Bonsucesso, publicado em 2010.
Inclusão que se constrói com vivência
A oficina foi conduzida pela guia de turismo Araçari Salles, que orientou os participantes em todas as etapas do preparo, adaptando as explicações para estimular o uso do tato, do olfato e da audição. Dessa forma, os alunos participaram ativamente do processo, do corte dos ingredientes ao acompanhamento do cozimento.
Para a subsecretária Mayara Maia, iniciativas como essa promovem mais do que aprendizado técnico. Segundo ela, “ao vivenciar o preparo de um prato típico da cidade, os alunos acessam a cultura local de forma sensorial, fortalecendo a autonomia, o pertencimento e a participação comunitária”.
Experiência prática e impacto pessoal
Os participantes do Peis colaboraram diretamente no preparo da receita. Entre eles, Camilo Alves Pereira, de 36 anos, que perdeu a visão em decorrência do glaucoma e atualmente frequenta aulas de orientação e mobilidade no projeto. Ele ficou responsável por picar a cebola e aprovou a experiência.
Camilo contou que pretende reproduzir o prato em casa, no Jardim Presidente Dutra, para apresentar a receita à família. Já o professor Matheus Sandre, ex-aluno do Peis e contador de histórias na rede municipal, destacou o valor cultural da atividade e a importância de reconhecer e preservar tradições locais.
Cultura, inclusão e memória coletiva
Ao unir gastronomia, história e acessibilidade, a oficina reafirma o papel da educação inclusiva como ferramenta de transformação social. Valorizar a cultura da cidade, nesse contexto, é também garantir que todos tenham acesso à memória coletiva, respeitando diferenças e ampliando oportunidades.
Fonte: PMG / redação: Eraldo Costa / Imagem: Umaitá Pires/PMG














