Sete anos. Foi o tempo que separam uma promessa de boicote de um cheque de R$ 235 milhões.
Em novembro de 2019, Luciano Hang suspendeu toda a publicidade da Havan na TV Globo. O motivo, segundo o empresário: a emissora era “contra os valores da família brasileira”. O gesto foi lido como apoio declarado a Jair Bolsonaro, então presidente, e seus apoiadores comemoraram.
Agora, em fevereiro de 2026, a Havan é oficialmente uma das patrocinadoras da transmissão da Copa do Mundo na mesma emissora.
A cota de apoio — a mesma ocupada por Coca-Cola e BetMGM — garante à varejista exposição em ações de conteúdo e nos intervalos dos jogos. O valor estimado é de R$ 235 milhões. A Havan, em nota, diz que o montante divulgado pela Folha não corresponde à realidade e que continua sem veicular publicidade nos telejornais nacionais da Globo. A ressalva, porém, tem um peso: o futebol, segundo a empresa, é “paixão nacional, mobiliza o país e une famílias”.
O pragmatismo, enfim, vestiu a camisa.
O movimento não é isolado. A Havan já havia retomado o patrocínio ao Athletico-PR e agora repete a estratégia em escala nacional. Para a Globo, que projeta faturar R$ 2 bilhões com o Mundial, a chegada da Havan é a prova de que, no tabuleiro do marketing esportivo, o alcance de 100 milhões de telespectadores fala mais alto que qualquer divergência.
A pergunta que fica: o boicote ficou no banco ou entrou em campo com chuteiras societys?
“Futebol é paixão nacional, une famílias”, diz Luciano em nota.
Fonte: Folha de São Paulo / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Créditos: Divulgação/Havan/Edição/IA qwen














