Um estudo do Global Trade Alert indica que o Brasil é o maior beneficiado pela nova tarifa global de 15% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos importados. A análise aponta uma redução média de 13,6 pontos percentuais nas tarifas incidentes sobre exportações brasileiras.
O recuo supera o registrado por China (-7,1 pontos percentuais) e Índia (-5,6 pontos percentuais), segundo o levantamento.
Entenda a mudança
A Suprema Corte dos Estados Unidos invalidou tarifas anteriores impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), que chegavam a 50% para determinados produtos brasileiros.
Em resposta, o presidente Donald Trump instituiu uma tarifa temporária uniforme de 15%, válida por 150 dias, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. A medida substitui alíquotas mais elevadas aplicadas anteriormente a países específicos.
Com a uniformização, na prática, países que enfrentavam sobretaxas mais altas passaram a ter redução tarifária, enquanto aliados comerciais dos EUA registraram aumento moderado.
Variação média das tarifas por país
Brasil: -13,6 pp
China: -7,1 pp
Índia: -5,6 pp
Reino Unido: +2,1 pp
União Europeia: +0,8 pp
Japão: +0,4 pp
| Carne bovina | Segundo maior destino da carne brasileira; tarifa zerada após ter chegado a 50% | 12% do setor | Até 50% | 0% |
| Café | Exportações de cerca de US$ 1,9 bilhão; tarifa zerada | 16,7% do setor | — | 0% |
| Celulose | Setor estratégico; competitividade restabelecida com eliminação da sobretaxa | — | Sobretaxa | 0% |
| Suco de laranja | Vantagem competitiva ampliada com tarifa zerada ou reduzida | — | — | 0% ou reduzida |
| Petróleo e combustíveis | Isenções amplas garantem tarifa zerada em parte relevante das exportações | — | — | 0% |
| Aeronaves | Setor preservado; tarifa zerada para aviões e peças | — | — | 0% |
Impacto econômico
Os setores beneficiados representam parcela significativa dos US$ 21,6 bilhões em exportações afetadas pelas tarifas anteriores. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a reversão das sobretaxas restabelece competitividade em cadeias estratégicas.
O vice-presidente Geraldo Alckmin avaliou a medida como positiva, destacando a manutenção da competitividade internacional do Brasil.
A exceção permanece para aço e alumínio, que continuam sujeitos a tarifas combinadas que podem chegar a 65%.
Fonte: Estadão |Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA / GPT














