A farsa que chocou o país
O caso envolvendo Fernando Henrique Dardis, morador de Guarulhos, ganhou repercussão nacional após a revelação de que ele simulou a própria morte em 2024 para evitar julgamento. Segundo as investigações, ele obteve um atestado de óbito fraudulento com a alegação de sepse e adulterou registros do cemitério municipal para constar como sepultado no lugar de um idoso.
A denúncia veio a público em reportagem exibida pelo Fantástico. Além disso, a apuração apontou o uso do Hospital Brás Cubas, ligado à família, para emissão do documento falso. A empresa Med-Tour, também pertencente ao grupo familiar, negou participação nas irregularidades.
O caso Helena Rodrigues
O processo julgado pelo Tribunal do Júri no Fórum de Sorocaba refere-se à morte de Helena Rodrigues, ocorrida em 2011. Ela procurou atendimento na Santa Casa de Sorocaba com sintomas compatíveis com infarto.
De acordo com a denúncia, Dardis realizou o atendimento inicial e indicou tratamento para dor lombar. No dia seguinte, a paciente sofreu parada cardiorrespiratória e morreu. A acusação sustentou erro de diagnóstico com resultado fatal.
A decisão do júri
Após anos de tramitação, o júri popular absolveu Dardis da acusação de homicídio. A defesa argumentou que ele não foi o responsável direto pelo desfecho clínico, pois outros profissionais também atenderam a paciente. O Ministério Público anunciou que recorrerá da decisão.
Em interrogatório recente, Dardis admitiu ter sustentado uma trajetória de falsidades. “A mentira é uma bola de neve, um câncer”, declarou. Contudo, afirmou que sua função no hospital limitava-se à triagem.
Debate jurídico e repercussão
A absolvição reacendeu discussões sobre responsabilidade penal em casos médicos complexos. Juridicamente, o tribunal avaliou a ausência de nexo causal direto. Socialmente, a decisão provocou questionamentos sobre fiscalização profissional, influência estrutural e falhas no sistema de saúde.
Enquanto o recurso tramita, o caso permanece como um dos episódios mais emblemáticos envolvendo exercício ilegal da medicina e tentativa de obstrução da Justiça no estado de São Paulo. Cabe recurso MP da decisão.
Fonte: G1 Redação: Eraldo Costa / Imagem: Falso médico se entrega à polícia em SP — Foto: Reprodução














