Exumação dos Mamonas Assassinas marca início de memorial ecológico que homenageia a banda em Guarulhos.
Com a proximidade dos 30 anos do acidente que vitimou Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Samuel Reoli e Sérgio Reoli, as famílias dos músicos tomaram a decisão de exumar os corpos. O objetivo não é apenas uma mudança de local, mas uma transformação profunda no conceito de memorial. A ideia é migrar de um túmulo estático para um espaço vivo e interativo, que celebre a alegria e a irreverência que marcaram a trajetória do grupo.
Durante o processo de exumação, realizado no Cemitério Primaveras, em Guarulhos (SP), dois objetos chamaram a atenção e rapidamente se tornaram virais, reacendendo a comoção popular.
A jaqueta “intacta” de Dinho
Ao abrirem a área onde estava enterrado o vocalista Dinho, a equipe encontrou, sobre o caixão, uma jaqueta com o emblema da banda em um estado de conservação impressionante. A peça, que apresentava apenas um desbotamento, parecia ter sido colocada ali “ontem”, nas palavras da família.
Esclarecimento importante: Diferente do que se especulou inicialmente, a jaqueta não pertenceu a Dinho e não estava dentro do caixão. Jorge Santana, primo do cantor e CEO da marca Mamonas, explicou que a peça era de um membro da equipe de apoio (staff) e foi jogada sobre a urna funerária por um dos integrantes da equipe no momento do sepultamento, em 1996, como um gesto simbólico de despedida.
A explicação científica para a preservação: O achado gerou teorias nas redes sociais, mas a ciência explica tudo de forma simples. A jaqueta é feita de nylon, uma fibra sintética derivada do petróleo, que é um tipo de plástico.
- Decomposição lentíssima: Em condições naturais, o nylon pode levar mais de 200 anos para se decompor.
- Condições ideais: Enterrada, a peça ficou protegida da luz solar (radiação UV) e com pouca variação de umidade e oxigênio, fatores que aceleram a degradação de materiais orgânicos. “Trinta anos, nesse contexto, é pouco tempo”, explica Fabrício Stocker, professor da FGV e especialista na cadeia produtiva da moda.
O ursinho de pelúcia de Bento
Não foi apenas a jaqueta de Dinho que resistiu ao tempo. Sobre o caixão do guitarrista Bento Hinoto, a família encontrou um bicho de pelúcia, também em bom estado de conservação, ainda que sujo de terra.
Claudia Hinoto, cunhada de Bento, revelou ao g1 que acredita que o ursinho tenha sido um presente de uma fã entregue à mãe do músico e colocado sobre o caixão como homenagem. “Durante a exumação vimos que o ursinho de pelúcia estava bem em cima da urna, praticamente intacto”, afirmou.
A nova fase: O memorial vivo
A exumação é o primeiro passo para um projeto maior e mais significativo: a criação do Jardim BioParque Memorial Mamonas. A ideia, aprovada por unanimidade pelas famílias, é transformar a memória dos integrantes em um símbolo de renovação.
Como vai funcionar?
- Ciclo de renovação: Os restos mortais dos cinco músicos foram cremados. As cinzas passarão por um processo de compostagem e serão misturadas com nutrientes para se tornar adubo .
- As árvores: Serão plantados cinco pés de jacarandá, uma árvore nativa e de grande valor simbólico e ambiental. Cada árvore representará um integrante da banda.
- Tecnologia e memória: O espaço, que será aberto ao público gratuitamente, contará com totens interativos e recursos digitais. Os visitantes poderão acompanhar o crescimento das árvores em tempo real e acessar conteúdos multimídia, como clipes, entrevistas e registros históricos da banda .
- Preservação da história: Os túmulos originais serão mantidos como referência histórica, e o novo memorial será instalado atrás deles.
O destino dos objetos encontrados
As famílias já decidiram que os objetos encontrados não voltarão à terra e terão um destino à altura de seu valor sentimental e histórico:
- A jaqueta de Dinho: A família do vocalista pretende encaminhar a peça para o acervo do museu do Centro Universitário FIG-Unimesp, em Guarulhos, para integrar uma exposição permanente dedicada à história do grupo. A proposta é que os fãs e visitantes possam ter acesso ao item .
- O ursinho de Bento: Segundo Claudia Hinoto, a família pretende deixar o bicho de pelúcia no novo memorial que será criado para a banda.
Mais homenagens e despedidas
A comoção em torno dos 30 anos da morte da banda não para por aí. Na próxima segunda-feira, 2 de março, a TV Globo apresenta o documentário “Mamonas – Eu Te Ai Lóve Iú” . A produção promete reconstruir a trajetória do grupo com imagens e depoimentos exclusivos de familiares e personalidades, num misto de humor, emoção e nostalgia.
Fonte: www.revistaforum / Redação: Eraldo Costa / Imagem: reprodução:Globo/Metropoles














