Convocação de Fabiano Zettel e da “turma” ligada ao Banco Master fica para a próxima semana.
O deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL), relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, passou mal e precisou cancelar a reunião que estava agendada para esta quinta-feira (5). A informação foi confirmada pelo gabinete do parlamentar. O motivo foi uma crise de sinusite.
Com o cancelamento, ficaram adiadas a votação de 18 requerimentos considerados estratégicos para as investigações, além de dois depoimentos de peso: o do presidente da Dataprev, Rodrigo Ortiz D’Ávila Assumpção, e o do advogado Cecílio Galvão.
Convocação da “turma” ligada ao Banco Master fica para a próxima semana
Seria votada nesta quinta a convocação de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Vorcaro e Zettel foram presos na quarta-feira (4) na terceira fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A oitiva foi transferida e deve ser incluída na pauta da próxima semana.
O que estava na pauta e foi adiado
A sessão desta quinta-feira seria uma das mais movimentadas da comissão. Entre os requerimentos que aguardavam votação estavam pedidos de quebra de sigilo bancário e fiscal de pessoas ligadas ao empresário Danilo Berndt Trento, investigado por participação no esquema de descontos indevidos em aposentadorias.
Outro requerimento que mobilizava os parlamentares era o pedido de quebra de sigilo de Letícia Caetano dos Reis, apontada como administradora da empresa Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia. Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso e apontado como um dos principais articuladores das fraudes.
Depoimentos remarcados
Os depoimentos do presidente da Dataprev e do advogado Cecílio Galvão também precisaram ser transferidos. Essa seria a segunda tentativa de ouvir Assumpção, que havia sido convocado para segunda-feira (2), mas alegou viagem à Índia para justificar a ausência.
No caso de Galvão, a situação é ainda mais delicada. O advogado foi alvo de um pedido de condução coercitiva após sucessivas tentativas de intimação sem resposta. Investigado por supostos contratos milionários com associações de aposentados, ele também é citado em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) por movimentações atípicas.
Críticas da base governista
O cancelamento gerou reação imediata de parlamentares da base governista. O deputado Rogério Correia (PT-MG) questionou a postura do presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), por não ter designado um relator substituto para viabilizar a continuidade dos trabalhos.
O vice-presidente do colegiado, Duarte Jr. (PSB-MA), anunciou que a agenda de votações e as oitivas serão remarcadas para a próxima semana.
Prazo apertado e futuro da comissão
A CPMI do INSS tem autorização para funcionar até 28 de março. O presidente da comissão, Carlos Viana, já solicitou prorrogação por mais 60 dias, mas ainda aguarda resposta do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Enquanto isso, o relator Alfredo Gaspar se recupera em casa e deve retomar os trabalhos assim que liberado pelos médicos. A crise de sinusite, embora comum, comprometeu um dia decisivo para o avanço das investigações sobre o esquema de fraudes que teria desviado recursos de aposentados e pensionistas.
Fonte: www.congressoemfoco.com.br / Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)














