Enquanto Brasil zera imposto do diesel, G7 libera reservas históricas e países da Ásia adotam desde controle de preços até racionamento.
A escalada do conflito no Oriente Médio obrigou governos de todos os continentes a desenharem pacotes emergenciais para conter os estilhaços econômicos da guerra. O fechamento virtual do Estreito de Ormuz, por onde escoa 20% do petróleo mundial, tirou do mercado cerca de 15 milhões de barris por dia e levou o barril do Brent a ultrapassar US$ 100, com picos de US$ 119 na quinta-feira (12) .
A resposta internacional inclui desde a maior liberação coordenada de reservas da história até medidas domésticas como controle de preços, subsídios, racionamento e até mesmo proibição de exportações.
Da América Latina à Ásia, passando pela Europa, medidas emergenciais foram anunciadas para reduzir o impacto no custo dos combustíveis, no transporte e na produção de alimentos. Em termos simples: quando o petróleo sobe, toda a engrenagem da economia gira mais cara.
Petróleo acima de US$ 100 acende alerta global
O ponto crítico é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no planeta. Qualquer bloqueio ou instabilidade na região afeta imediatamente os mercados globais de energia.
Com a disparada do barril, bolsas caíram, moedas oscilaram e governos passaram a agir para evitar um efeito dominó sobre inflação, transporte e alimentos.
EUA
A combinação de preços altos do petróleo com o crescimento fraco do emprego reacendeu o temor de estagflação, cenário que não assombrava a economia americana desde a década de 1970.
Brasil corta impostos e cria taxa sobre exportação de petróleo
No Brasil, a resposta veio em forma de intervenção fiscal para evitar uma alta imediata no diesel.
- zeragem de impostos federais sobre o diesel
- subsídio direto ao combustível
- criação de taxa sobre exportação de petróleo
A zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, além de uma subvenção de R$ 0,32 por litro, totalizando um alívio potencial de R$ 0,64 nas refinarias. Para compensar a perda de arrecadação, instituiu alíquotas de 12% sobre exportações de petróleo bruto e 50% sobre embarques de diesel.
Europa discute corte de impostos e controle de preços
Na Europa, as respostas variaram conforme a vulnerabilidade de cada país. A Alemanha adotou uma medida inédita: os postos de combustíveis só poderão alterar os preços uma vez por dia, seguindo o modelo austríaco para evitar flutuações especulativas. As reduções continuarão permitidas a qualquer momento
alguns países da região, como Hungria e Croácia, já adotaram limites máximos para o valor do combustível, enquanto outras nações avaliam medidas semelhantes para proteger consumidores e empresas.
Em vários países europeus, a pressão já começa a chegar aos postos de combustíveis.
- redução de impostos sobre gasolina e diesel
- criação de tetos temporários de preços
- subsídios para transporte e energia
A resposta coordenada do G7 e da AIE: 400 milhões de barris
A ação mais expressiva partiu da Agência Internacional de Energia (AIE), que coordenou a liberação emergencial de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus 32 países-membros. O volume é mais que o dobro da liberação de 182 milhões de barris feita após a invasão da Ucrânia em 2022
Ásia adota teto de preços, subsídios e reservas estratégicas
Na Ásia, região altamente dependente do petróleo do Oriente Médio, as medidas foram ainda mais rápidas.
Coreia do Sul
- implantação de teto no preço dos combustíveis pela primeira vez em quase 30 anos
- ampliação de programas de estabilização econômica.
Japão
- preparação para liberação de reservas estratégicas de petróleo caso a crise se intensifique.
Vietnã
- eliminação temporária de tarifas de importação de combustíveis para garantir abastecimento.
Tailândia
- uso de fundos públicos para limitar o preço do diesel e evitar pressão inflacionária no transporte.
Alguns países já enfrentam racionamento de combustíveis
Em economias mais vulneráveis, a crise já chegou de forma mais dura.
Bangladesh, altamente dependente de importação de energia, começou a limitar a venda de combustíveis para veículos e enfrenta filas em postos de abastecimento após corrida de consumidores.
Outros países também discutem medidas de emergência, como redução de deslocamentos e estímulo ao trabalho remoto para diminuir o consumo de combustível.
Por que o petróleo afeta toda a economia
O petróleo é considerado um insumo transversal da economia moderna.
- transporte de mercadorias
- fertilizantes e produção agrícola
- geração de energia
- indústria química e plásticos
- custo logístico global
Quando o preço sobe, o impacto se espalha por toda a cadeia produtiva — do frete ao supermercado.
O risco de uma nova onda inflacionária global
Economistas alertam que, se o conflito se prolongar e o fluxo de petróleo continuar ameaçado, o mundo pode enfrentar um novo ciclo inflacionário semelhante ao observado em outras crises energéticas.
Por isso, governos estão reagindo rapidamente com subsídios, controle de preços e liberação de reservas estratégicas.
A lógica é simples: conter a onda antes que ela chegue com força ao bolso do consumidor.
Fonte: The Economic Times / The Guardian / Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA / GPT














