O uso de acessórios de identificação em locais públicos tem se tornado uma ferramenta essencial para a inclusão social. Entre as diversas opções disponíveis, apenas o cordão de girassol possui reconhecimento em lei federal no Brasil. Sancionada em julho de 2023, a Lei nº 14.624 incluiu o acessório no Estatuto da Pessoa com Deficiência, validando seu uso para sinalizar condições não aparentes.
Apesar da variedade de cores e símbolos circulando em shoppings, aeroportos e hospitais, a legislação brasileira destaca o modelo com flores amarelas como o padrão oficial para deficiências auditivas, visuais, intelectuais e Transtorno do Espectro Autista (TEA). A norma reforça que o uso é opcional, mas garante maior visibilidade aos direitos de quem o porta.
Impacto prático no cotidiano das famílias
Em Mogi das Cruzes, a mãe Talita Vanessa de Lima Fernandes utiliza o cordão com símbolo de quebra-cabeça para identificar seu filho Endrick, de dois anos, diagnosticado com TEA nível de suporte 2. Como a criança é pequena, ela usa o acessório como representante.
Talita relata que o objeto facilita a interação social. “Quando usamos, as pessoas tendem a não julhar durante uma crise de choro e algumas até oferecem ajuda”, explicou. Ela observa que, embora nem todos os estabelecimentos sigam o protocolo imediatamente, muitos já concedem atendimento prioritário ao identificar o símbolo, reduzindo a necessidade de longas esperas em filas comuns.
Diferença entre os modelos de cordões
A psicóloga Tauanny Fernanda Santos, da Apae de Mogi das Cruzes, destaca que os acessórios promovem um atendimento mais humanizado. No entanto, é crucial distinguir os significados para evitar confusão. Enquanto o girassol é o único protegido por lei federal, outros modelos ganharam popularidade por causas específicas:
- Cordão Azul com Quebra-Cabeça: Associado especificamente ao autismo, representando a diversidade do espectro.
- Símbolo do Infinito Multicolorido: Representa a neurodiversidade de forma ampla, incluindo TDAH e dislexia.
- Cordão Verde: Identifica doenças invisíveis, como fibromialgia e lúpus.
- Cordão Roxo: Indica epilepsia ou outras condições neurológicas.
- Cordão Amarelo: Focado em saúde mental e prevenção ao suicídio.
Importância da padronização e respeito
Especialistas alertam para a necessidade de buscar fornecedores que sigam padrões reconhecidos. O objetivo principal não é criar segregação, mas sim garantir que pessoas com necessidades específicas recebam o tempo e a compreensão adequados em situações de comunicação complexa.
“O reconhecimento legal fortaleceu o direito à acessibilidade. A sociedade passou a compreender melhor essas necessidades, tornando os atendimentos mais empáticos”, afirmou a psicóloga. O uso correto desses identificadores contribui diretamente para a construção de um ambiente público mais respeitoso e igualitário.
Fonte: g1 > Mogi das Cruzes e Suzano / Redação: Eraldo / Imagem: Reprodução/TV Integração













