Terminal Rodoviário do Cecap, em Guarulhos, pode ser revitalizado e renascer como polo cultural na cidade.
Em 2012, a cidade de Guarulhos celebrou com entusiasmo a inauguração do Terminal Rodoviário do Parque Cecap. Foram cerca de R$ 20 milhões investidos em uma área de 50 mil metros quadrados, sendo sete mil metros de construção coberta. No papel, o projeto parecia promissor. Mas na prática, o terminal se tornou um retrato do subaproveitamento: uma rodoviária sem ônibus, sem passageiros e sem propósito.
De promessa à frustração coletiva
A população, que por décadas aguardou por um terminal digno das dimensões da cidade, se viu frustrada. A chamada “rodoviária fantasma” ganhou esse apelido por um motivo simples: não cumpre sua função. A escassez de linhas intermunicipais e interestaduais é apenas um dos problemas que impedem seu funcionamento pleno. No local, o movimento é raro, quase inexistente.
Taxistas, comerciantes e passageiros: todos à deriva
A paisagem diária do terminal é marcada por guichês fechados, táxis ociosos e comércios vazios. Apenas o estacionamento apresenta algum fluxo. Mesmo com a permanência de algumas lojas e lanchonetes, o vazio ecoa em cada corredor. A estrutura monumental se tornou um símbolo do desperdício e da má gestão de recursos públicos.
Novo governo, novas ideias
A atual administração, sob comando de Lucas Sanches, estuda propostas para transformar o espaço e dar utilidade prática à estrutura existente. A ideia mais avançada, segundo fontes ligadas ao governo, envolve a criação de um mercado municipal e de um centro de tradições culturais. O modelo seria inspirado na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, conhecida por sua valorização da cultura nordestina.
Mercado municipal e centro de tradições: uma saída viável?
O projeto visa não apenas revitalizar a estrutura abandonada, mas também criar um polo de desenvolvimento local. Um mercado municipal, somado a um centro de tradições regionais, pode atrair turistas, fomentar o comércio e oferecer espaços para apresentações culturais. A proposta busca transformar o que antes era problema em oportunidade.
Perguntas sobre a gestão atual
Apesar das boas ideias em discussão, ainda pairam dúvidas sobre a gestão da rodoviária. A empresa Plataforma 15, responsável pela administração do espaço, teria firmado contrato sem licitação pública — ao menos, não há informações claras sobre isso. Qual a base legal para a concessão? Os aluguéis pagos por comerciantes e empresas de ônibus são revertidos para os cofres públicos?
Transparência e prestação de contas
A falta de informações oficiais sobre o contrato de gestão levanta questões legítimas. A Secretaria de Transportes e Mobilidade Urbana precisa esclarecer os termos dessa administração. A população tem o direito de saber se o espaço público está sendo explorado de forma justa, legal e eficiente.
Conclusão
A estrutura construída no Parque Cecap ainda carrega potencial. Transformar a rodoviária fantasma em um espaço vivo, cultural e comercial pode mudar a percepção da população sobre o local. Para isso, é preciso mais do que boas intenções — é necessário planejamento, transparência e escuta ativa da sociedade.
Fonte: www.gruponto.com.br / Redator: Eraldo Costa / Imagem: Reprodução














