Primeira mulher a liderar a Polícia Militar paulista em quase 200 anos, coronel aposta em humanização, tecnologia e combate estrutural à violência doméstica
A Polícia Militar de São Paulo viveu nesta quarta-feira (29) um dos capítulos mais simbólicos de sua história. Aos 54 anos e após 33 anos de carreira, a coronel Glauce Anselmo Cavalli tomou posse como a primeira mulher a assumir o Comando-Geral da corporação em quase dois séculos de existência. A cerimônia, realizada na Academia do Barro Branco, na zona norte da capital, marca uma ruptura histórica em uma das instituições mais tradicionais da segurança pública brasileira. Nomeada pelo governador Tarcísio de Freitas, Glauce passa a liderar a maior polícia militar do país, com cerca de 81 mil agentes sob sua responsabilidade.
Posse histórica e discurso de transformação
Em seu primeiro pronunciamento como comandante, Glauce deixou claro que sua ascensão representa mais do que um feito individual. “Não é vitória pessoal, é conquista coletiva”, afirmou ao homenagear gerações de policiais femininas e lembrar as pioneiras da corporação. A nova comandante destacou que sua gestão será orientada por uma combinação de disciplina, acolhimento e modernização institucional, priorizando especialmente o enfrentamento à violência doméstica e familiar.
Doutora em Ciências Policiais, Glauce construiu carreira em áreas estratégicas como Diretoria de Finanças, Centro Logístico e Comunicação Social, além de experiências operacionais no policiamento de trânsito e em batalhões do interior e da capital. Sua formação técnica e administrativa foi apontada como um dos fatores centrais para sua escolha.
Plano Lilás: quartéis como rede de acolhimento
A principal diretriz anunciada por Glauce é a ampliação da Patrulha Lilás, com fortalecimento do atendimento especializado a vítimas de violência de gênero. O plano inclui criação de Espaços Lilás em unidades policiais, cabines prioritárias para ocorrências da Lei Maria da Penha, expansão do aplicativo São Paulo Mulher Segura e integração tecnológica para respostas mais rápidas, incluindo monitoramento de agressores e suporte remoto.
Segundo a comandante, a meta é ir além dos índices tradicionais de criminalidade. A proposta busca melhorar também a percepção de segurança e confiança da população feminina no aparato estatal.
Da experiência pessoal à liderança institucional
A trajetória de Glauce também é marcada por episódios de alta pressão operacional, que moldaram sua visão sobre gestão de crises e suporte emocional dentro da corporação. Ao assumir o posto, ela sinaliza uma liderança que pretende equilibrar rigor policial e sensibilidade social, em um contexto de crescente cobrança por respostas mais eficazes ao feminicídio e à violência contra mulheres.
Um marco além da representatividade
A chegada de Glauce Cavalli ao topo da PM paulista redefine padrões dentro da segurança pública nacional. Sua gestão será observada não apenas pelo simbolismo histórico, mas pela capacidade de transformar representatividade em políticas concretas de proteção, acolhimento e eficiência.
Mais do que comandar tropas, Glauce assume o desafio de reposicionar a Polícia Militar como instrumento de prevenção e cuidado social. O êxito de sua liderança poderá ser medido não apenas por estatísticas criminais, mas pela confiança que mulheres em situação de vulnerabilidade sentirão ao buscar ajuda no Estado.
Fonte: www.agenciasp.sp.gov.br | Concepção de Texto: Eraldo Costa | 📷: Divulgação/Governo de SP














