Investigação conduzida por Flávio Dino amplia pressão sobre parlamentares e aprofunda crise política envolvendo o longa “Dark Horse”
Deputados federais, estaduais e vereadores de São Paulo destinaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso passou a ser alvo de apuração preliminar no Supremo Tribunal Federal após suspeitas de desvio de finalidade e falta de transparência na destinação dos recursos.
A investigação ganhou força após representações apresentadas pelos deputados Tabata Amaral e Pastor Henrique Vieira, com base em dados públicos de transparência do governo federal e da Prefeitura de São Paulo. O ministro Flávio Dino determinou a abertura da apuração no âmbito da ADPF 854, ação em que o STF já estabeleceu critérios mais rígidos de rastreamento e transparência para emendas parlamentares.
Entidades ligadas à produtora estão no centro da investigação
Segundo os documentos analisados pelo Supremo, os recursos públicos teriam alcançado um conjunto de entidades associadas à empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da Go Up Entertainment. Entre as organizações citadas estão o Instituto Conhecer Brasil, a Academia Nacional de Cultura e a Conhecer Brasil Assessoria.
A suspeita central é que parte das emendas possa ter sido destinada a estruturas privadas ligadas ao mesmo grupo empresarial responsável pela produção do longa-metragem.
Parlamentares entram no foco da apuração
Entre os parlamentares citados aparecem os deputados federais Mário Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon, além dos ex-deputados Alexandre Ramagem e Carla Zambelli.
Os valores identificados variam entre R$ 100 mil e R$ 750 mil por emenda. No caso de Mário Frias, a investigação aponta cerca de R$ 2 milhões destinados ao Instituto Conhecer Brasil para projetos de letramento digital e esportivo.
O STF determinou a intimação dos parlamentares citados e concedeu prazo para manifestação da Câmara dos Deputados sobre os repasses investigados.
Caso se conecta à crise envolvendo Daniel Vorcaro
A investigação também passou a ser associada à crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, após revelações sobre negociações para financiar o filme “Dark Horse”.
Segundo reportagens divulgadas nas últimas semanas, os valores prometidos para o longa poderiam chegar a R$ 134 milhões, embora documentos localizados até agora apontem movimentações próximas de R$ 62 milhões.
Nos bastidores políticos, o caso já é tratado como um dos principais focos de desgaste do campo bolsonarista em 2026. A suspeita de mistura entre recursos públicos, financiamento privado e produção audiovisual ampliou o desconforto dentro do PL e aumentou a cobrança por transparência sobre a origem e o destino dos valores investigados.
A expectativa agora é que a apuração avance para análise detalhada sobre eventual desvio de finalidade, rastreabilidade dos recursos e possível conexão entre emendas parlamentares e interesses políticos ligados à produção cinematográfica.
Fonte: Metrópoles / Concepção do Texto: Eraldo Costa / Foto: Divulgação/Metrópoles














