Influenciadora foi alvo da Operação Vérnix, que investiga lavagem de dinheiro ligada ao PCC; declarações recentes reacenderam disputa de narrativas nas redes sociais
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra voltou ao centro do debate político e policial após ser presa nesta quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e pela Polícia Civil.
Ao chegar à delegacia, Deolane declarou que sua “culpa foi advogar”, além de afirmar estar sendo perseguida “por trabalhar e advogar nas redes sociais”. As falas rapidamente repercutiram na internet e passaram a alimentar um intenso confronto de narrativas políticas.
Carlos Bolsonaro resgata apoio de Deolane a Lula
Após a prisão, o vereador Carlos Bolsonaro (PL) republicou postagens antigas em que Deolane aparecia em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022, tentando usar o caso como ferramenta de contestação política.
A estratégia, porém, se chocou com o fato de que, após a primeira prisão, em 2024, a influenciadora passou a fazer críticas severas ao governo e a declarar arrependimento pelo voto em Lula, com frases como:
“Assisti um vídeo e chorei, chorei com a alma, lembrei de tudo que passei. Cadê a ‘Operação INSS’? Cadê o dinheiro dos nossos velhinhos?”
“Confesso que arrependida estou da bandeira que levantei.”
As declarações voltaram a circular maciçamente nas redes sociais após a nova prisão, ampliando a disputa de narrativas entre bolsonaristas, que querem vincular a imagem de Deolane ao governo, e setores que enxergam a prisão como um desdobramento de investigação criminal, independente de escolha política.
Operação mira estrutura financeira ligada à ORCRIM
Segundo as investigações, o esquema utilizava uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau, no interior paulista, como empresa de fachada para movimentar recursos atribuídos ao crime organizado.
A Polícia Civil afirma que milhões de reais teriam circulado por contas e empresas ligadas ao grupo investigado.
Além de Deolane, a Justiça expediu mandados de prisão preventiva contra familiares de Marco Willians Herbas Camacho, apontado como líder histórico do PCC, e operadores financeiros ligados à organização.
Entre os alvos estão:
- Alejandro Camacho, irmão de Marcola;
- Paloma Sanches Herbas Camacho;
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho;
- Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro do grupo.
Segundo os investigadores, mensagens interceptadas mostram orientações para distribuição de dinheiro e movimentações bancárias relacionadas ao esquema.
Nome chegou à Interpol
Antes da operação, Deolane passou semanas em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, segundo reportagens divulgadas nesta quinta-feira.
Ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20), um dia antes da operação policial.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis ligados à influenciadora em Barueri e em outros endereços associados aos investigados.
O influenciador Giliard Vidal dos Santos, considerado filho de criação de Deolane, além de um contador ligado ao grupo, também foram alvo das buscas.
Histórico de investigações
Esta não é a primeira vez que Deolane enfrenta problemas com a Justiça. Em setembro de 2024, ela foi presa no Recife durante a Operação Integration, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investigava lavagem de dinheiro e promoção de jogos ilegais.
Após cerca de 15 dias detida, ela conseguiu habeas corpus para cumprir prisão domiciliar.
Fonte: revistaforum | Concepção do Texto: Eraldo Costa | 📷: Divulgação














