Nova fase do programa deve focar consumidores sem dívidas atrasadas, mas pressionados por juros elevados no cartão, empréstimos e financiamentos
O governo federal estuda lançar uma nova etapa do programa Desenrola Brasil voltada para consumidores adimplentes — brasileiros que mantêm as contas em dia, mas convivem com juros altos e parcelas pesadas no orçamento. A proposta foi confirmada pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, e deve beneficiar principalmente trabalhadores informais e famílias de renda média que enfrentam dificuldade para reorganizar as finanças.
Batizada informalmente de “Desenrola para adimplentes”, a iniciativa busca ampliar o alcance do programa criado originalmente para renegociação de dívidas em atraso. Agora, a ideia do governo é atuar antes que o consumidor entre na inadimplência.
Segundo Durigan, o objetivo é permitir que pessoas com histórico de pagamento regular tenham acesso a linhas de crédito mais baratas e consigam trocar dívidas caras por financiamentos com juros menores.
Governo mira cartão de crédito e empréstimos caros
A equipe econômica avalia mecanismos para reduzir o peso de modalidades consideradas mais agressivas no orçamento das famílias, entre elas:
- cartão de crédito;
- cheque especial;
- crédito pessoal;
- financiamentos de curto prazo;
- empréstimos com juros elevados.
A proposta prevê negociações com bancos e instituições financeiras para facilitar a migração dessas dívidas para contratos com parcelas menores e prazos mais longos.
O Ministério da Fazenda entende que milhões de brasileiros estão em uma situação considerada “limítrofe”: conseguem manter pagamentos em dia, mas comprometem grande parte da renda mensal apenas com juros.
Trabalhadores informais devem ser prioridade
O novo modelo deve priorizar trabalhadores informais, autônomos, motoristas de aplicativo, pequenos empreendedores e pessoas sem renda fixa formalizada. Segundo o governo, esse grupo enfrenta mais dificuldade para acessar crédito barato e acaba recorrendo a modalidades com juros elevados.
Durante entrevista recente, Dario Durigan afirmou que muitos consumidores não aparecem nas estatísticas da inadimplência, mas vivem em permanente aperto financeiro.
“É gente que paga em dia, mas paga caro”, resumiu o secretário-executivo da Fazenda.
Bancos discutem formato da nova fase
Integrantes da equipe econômica já iniciaram conversas com instituições financeiras para definir como funcionará a nova etapa do programa. A intenção é criar garantias que reduzam o risco bancário e permitam taxas mais acessíveis aos consumidores.
Até o momento, o governo ainda não divulgou:
- critérios oficiais para adesão;
- faixa de renda contemplada;
- percentual de redução dos juros;
- bancos participantes;
- data oficial de lançamento.
A expectativa é que o modelo seja apresentado nas próximas semanas.
Medida pode ampliar consumo e evitar inadimplência
Especialistas avaliam que o “Desenrola para adimplentes” pode funcionar como uma tentativa de evitar uma nova onda de endividamento no país. Com parcelas menores e juros reduzidos, famílias teriam mais espaço no orçamento para consumo, investimentos pessoais e reorganização financeira.
O governo aposta que a medida também poderá estimular a economia sem necessidade de aumento direto de gastos públicos, utilizando renegociação e reestruturação de crédito como principal ferramenta.
Fonte: noticias.r7.com | Concepção do Texto: Eraldo Costa | 📷: Freepik














