Nova fase da investigação que apura descontos indevidos em aposentadorias e pensões; mira entidades como: Amar, Master Prev,UNIBAP, ABENPREV, AASAP e ANDAPP, que também são investigadas
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema nacional de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Segundo as apurações, os desvios podem chegar a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
Entre os alvos está Américo Monte Júnior, apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas. Ele é dono da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB) e mora em um condomínio de alto padrão em Alphaville, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo. As investigações apontam que ele recebeu auxílio emergencial durante a pandemia da Covid-19.
Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, Américo Monte Júnior também deverá utilizar tornozeleira eletrônica. Até a publicação desta reportagem, a defesa dele não havia sido localizada.
Crescimento acelerado levantou suspeitas
Um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) mostrou crescimento expressivo da ABCB após firmar acordo de cooperação técnica com o INSS em 2022.
Naquele ano, a entidade possuía cerca de 53 mil associados. Em dezembro de 2023, o número saltou para 212 mil, chegando a 303 mil associados em dezembro de 2024.
Com o avanço da base de associados, os repasses financeiros também aumentaram. Em 2022, a associação recebeu cerca de R$ 1 milhão do INSS. Já em 2023, os valores ultrapassaram R$ 82 milhões.
Auditoria da CGU realizada em setembro de 2024 identificou fortes indícios de irregularidades. Dos 64 aposentados entrevistados ligados à associação, 62 afirmaram não ter autorizado os descontos aplicados em seus benefícios.
Mandados e investigação
A operação cumpre 31 mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como monitoramento eletrônico e bloqueio de bens. As ações ocorrem no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba.
As investigações miram associações, operadores financeiros, ex-dirigentes do INSS e articuladores suspeitos de participação no esquema. Entre os crimes investigados estão:
- Organização criminosa;
- Estelionato previdenciário;
- Lavagem de dinheiro;
- Ocultação patrimonial;
- Fraudes contra a administração pública.
Também são investigadas entidades como UNIBAP, ABENPREV, Amar, Master Prev, AASAP e ANDAPP.
Em Pernambuco, a operação mira servidores e ex-servidores do INSS que podem estar envolvidos no esquema.
Segundo informações obtidas pela TV Globo, os mandados são cumpridos contra os seguintes investigados:
Gutemberg Tito de Souza, apontado nas investigações como um dos articuladores ligados à gestão das associações UNIBAP e ABENPREV;
Zacarias Canuto Sobrinho, citado como articulador ligado à administração das entidades investigadas;
Cleiton dos Santos Medeiros, identificado nas apurações como operador ou intermediário ligado à estrutura financeira e operacional investigada;
Daniel Gerber, citado como operador ou intermediário ligado ao funcionamento financeiro e operacional do grupo investigado;
Alexandre Caetano, apontado como integrante da estrutura operacional e financeira investigada;
Carlos Henrique da Rocha Gonçalves, citado como intermediário ligado à estrutura operacional das entidades sob investigação;
Américo Monte Júnior, apontado como responsável pela estrutura e gestão de associações investigadas;
Felipe Macedo Gomes, investigado por suposta atuação na estrutura e administração das entidades;
Igor Dias Delecrode, citado como integrante da gestão das associações investigadas;
Anderson Cordeiro de Vasconcelos, apontado como um dos responsáveis pela estrutura das entidades investigadas;
Rogério Soares de Souza, ex-integrante da diretoria do INSS e da Superintendência Regional do Nordeste. Segundo as investigações, teria ligação com a ABAPEN;
Everaldo Felício de Macedo Junior, ex-gerente executivo do INSS em Garanhuns e um dos alvos da investigação.
Parte dos investigados já responde a medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A ação tem o objetivo de investigar crimes contra a administração pública, como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial.
Como funcionava o esquema
O esquema consistia em retirar valores de beneficiários do INSS mensalmente, como se eles tivessem se tornado membros de associações de aposentados, quando, na verdade, não haviam se associado nem autorizado os descontos.
A Sem Desconto já atingiu ex-dirigentes do INSS, empresários e donos de associações e sindicatos que faziam os descontos indevidos em aposentadorias.
Além disso, políticos foram alvos de mandados de busca e apreensão — os deputados Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e Gorete Pereira (MDB-CE), além do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Todos negam envolvimento em irregularidades.
Fonte: G1 | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: GPT














