Levantamento Ipsos-Ipec mostra que o Pix bate recorde de aprovação: 93% dos brasileiros aprovam o sistema de pagamentos instantâneos, e 73% rejeitam pressões dos EUA. Em um país marcado pela polarização política, a ferramenta do Banco Central tornou-se um raro consenso nacional.
O Pix se consolidou como um dos raros temas capazes de unir os brasileiros em meio a um cenário político polarizado. Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta sexta-feira (26) mostra que 93% da população aprova o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. Apenas 5% desaprovam a ferramenta, enquanto 2% não souberam ou não responderam.
O levantamento, realizado entre os dias 13 e 17 de junho com 2 mil pessoas em 130 municípios, revela que a adesão ao Pix é praticamente transversal. Entre os jovens de 16 a 34 anos, a aprovação chega a 97%. Já entre os entrevistados com ensino superior, o índice alcança 98%, com apenas 1% de desconfiança.
A renda também não é barreira para a popularidade da ferramenta
Pessoas com renda familiar superior a cinco salários mínimos aprovam o Pix em 97%. Entre aqueles que ganham até um salário mínimo, o percentual é de 88%. Homens e mulheres apresentam índices semelhantes, com 93% e 92% de aprovação, respectivamente
Uma fotografia do Brasil
Pesquisas de opinião costumam ser definidas como uma “fotografia do momento”. E a imagem capturada pelo Ipsos-Ipec revela um cenário incomum: o PIX conseguiu romper barreiras políticas, sociais e econômicas.
Enquanto assuntos como economia, política, segurança pública e programas sociais frequentemente dividem o país, o sistema de pagamentos digitais reúne apoio praticamente generalizado. Para a líder de Public Affairs da Ipsos-Ipec, Márcia Cavallari, o avanço do PIX representa um consenso raro no mercado financeiro brasileiro.
O avanço do PIX representa um consenso raro e uma aceitação massiva por parte da população, refletindo confiança dos brasileiros em soluções inovadoras de pagamento.”
Quem mais utiliza o PIX
A pesquisa mostra que o uso do PIX está presente em praticamente todos os segmentos da sociedade. A adesão, entretanto, cresce entre pessoas com maior escolaridade, renda mais elevada e forte inserção no sistema bancário, grupos que concentram maior volume de movimentações financeiras.
Isso não significa que o PIX seja utilizado apenas pelas classes média e alta. Pelo contrário. A ferramenta tornou-se o principal instrumento de pagamento também entre trabalhadores, microempreendedores e pequenos comerciantes, contribuindo para reduzir custos de transações financeiras em todo o país.
Os dados disponíveis, entretanto, não permitem concluir que exista predominância de uso entre eleitores de determinada corrente política, uma vez que o levantamento não estabelece relação entre utilização do PIX e preferência ideológica. A pesquisa identifica diferenças por renda, escolaridade e faixa etária, mas não por posicionamento político.
Brasileiros rejeitam mudanças no sistema
O estudo também avaliou a reação da população diante das críticas do governo Trump.
Segundo o levantamento, 73% defendem que o PIX permaneça exatamente como está, sem qualquer alteração motivada por pressões dos Estados Unidos. Outros 19% consideram que pequenas adaptações poderiam ser discutidas para reduzir conflitos diplomáticos, enquanto 8% não souberam responder.
O resultado reforça a percepção de que o sistema deixou de ser apenas uma ferramenta tecnológica para se transformar em um dos principais ativos da infraestrutura financeira brasileira.
O que está em jogo
Esse avanço tecnológico é apontado como um dos fatores que despertaram preocupação em empresas internacionais de pagamentos eletrônicos — como Mastercard, Visa, Diners e outras bandeiras — e passaram a integrar o debate comercial entre Brasil e Estados Unidos. O que está em jogo, no fundo, é a tentativa de blindar a hegemonia do dólar e o domínio de grandes grupos financeiros estrangeiros no mercado de pagamentos, diante do sucesso de uma ferramenta pública, ágil e amplamente adotada pelos brasileiros.
A pesquisa Ipsos-Ipec, no entanto, deixou claro que a população reprova esse tipo de interferência: 73% dos entrevistados defendem que o Pix permaneça exatamente como está, sem qualquer alteração motivada por pressões dos Estados Unidos.
Caso a investigação americana resulte na adoção das tarifas propostas, o impasse poderá ampliar as tensões econômicas entre os dois países, mas dificilmente reduzirá a popularidade de um sistema que hoje reúne aprovação quase unânime entre os brasileiros — e que, para eles, representa autonomia financeira, inclusão e soberania tecnológica.
Fonte: UOL | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | GPT














