Dados mostram impacto do trânsito nos trajetos entre aeroportos e regiões empresariais e reforçam debate sobre planejamento da mobilidade em São Paulo
Quem desembarca em São Paulo para uma reunião, evento ou compromisso profissional precisa considerar mais do que a distância entre o aeroporto e o destino no momento de organizar a agenda. Em horários de pico, o trânsito pode acrescentar até uma hora ao tempo médio de deslocamento entre os principais aeroportos e polos corporativos da capital, segundo levantamento da tg.mob, empresa especializada em mobilidade executiva.
Em condições regulares, o percurso entre o Aeroporto Internacional de Guarulhos e a região da Avenida Faria Lima leva, em média, 1h30. Até a Avenida Paulista, a duração é de 1h. A partir do Aeroporto de Congonhas, os tempos médios são de 45 minutos até a Faria Lima e 35 minutos até a Paulista.
Nos horários de maior movimento, porém, a tg.mob registra até uma hora adicional nesses trajetos. Na prática, uma viagem entre Guarulhos e Faria Lima pode chegar a 2h30, enquanto o deslocamento de Congonhas à Paulista pode levar 1h35.
Para Leandro Pimenta, CEO da tg.mob, os números mostram uma questão que vai além da organização individual de quem viaja a trabalho e que deveria ser considerada no planejamento da mobilidade da Região Metropolitana de São Paulo. “A capital paulista é o principal centro de negócios do País e recebe diariamente profissionais que chegam para reuniões, eventos, feiras e compromissos empresariais. A conexão entre os aeroportos e os polos corporativos precisa ser vista também sob essa perspectiva. Quando um deslocamento pode variar em uma hora dependendo do trânsito, temos um impacto direto sobre a previsibilidade das agendas e a atividade das empresas”, afirma.
Mais de 4,4 milhões de passageiros em Guarulhos
O volume de pessoas que circulam pelo principal aeroporto do País ajuda a dimensionar o desafio. Somente em julho deste ano, últimos dados divulgados, o Aeroporto Internacional de Guarulhos registrou 4.404.637 passageiros, dos quais 2.735.805 em operações domésticas e 1.668.832 internacionais, segundo o próprio aeroporto.
Para quem parte de São Paulo, o planejamento precisa considerar ainda o tempo necessário para chegar ao terminal. A tg.mob recomenda que passageiros estejam em Guarulhos três horas antes dos voos nacionais e quatro horas antes dos internacionais. Em Congonhas, a orientação é chegar com duas horas de antecedência. Mas, considerando o deslocamento entre a Faria Lima e Guarulhos em um horário de pico, por exemplo, um passageiro com voo nacional pode precisar iniciar seu planejamento até 5h30 antes da decolagem. Em uma viagem internacional, essa janela pode chegar a 6h30.
“Não estamos falando apenas do tempo dentro do carro. Uma hora a mais em um trajeto pode significar menos espaço para uma reunião, necessidade de antecipar a saída de um compromisso ou até reorganizar uma agenda inteira. Mobilidade, nesse contexto, também é uma questão de produtividade e competitividade”, explica Pimenta.
Congonhas está entre os gargalos
Outro ponto que exige atenção atualmente é o Aeroporto de Congonhas. As obras de ampliação e modernização do terminal provocaram mudanças nos acessos da Avenida Washington Luís ao aeroporto ao longo deste ano, com monitoramento da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).
Na operação da tg.mob, Congonhas aparece atualmente entre os principais gargalos para os deslocamentos executivos. A empresa também identifica dificuldades no acesso a Guarulhos nos horários de pico e nas regiões da Faria Lima, Pinheiros e Itaim Bibi, que concentram parte importante da atividade empresarial da capital. Para o CEO da empresa, a experiência de quem atua diariamente no transporte de profissionais pode contribuir para uma discussão mais ampla sobre as prioridades de mobilidade para São Paulo nos próximos anos. “Quando se discute mobilidade urbana, é importante olhar também para os deslocamentos relacionados à atividade econômica. Aeroportos, centros empresariais, hotéis, centros de convenções e espaços de eventos fazem parte de uma mesma cadeia. O planejamento público precisa considerar como essas conexões podem se tornar mais eficientes e previsíveis”, avalia.
Na visão do executivo, o tema ganha ainda mais relevância diante das discussões sobre os próximos ciclos de planejamento público no Estado. “São Paulo precisa pensar a mobilidade não apenas para atender à demanda atual, mas para acompanhar sua vocação como centro de negócios, eventos e conexões nacionais e internacionais. Melhorar os acessos, integrar diferentes modais e aumentar a previsibilidade dos deslocamentos são questões que deveriam fazer parte do planejamento de longo prazo”, conclui.
Fonte: Business Factory / Redaçção / Imagem: Divulgação













