Drones já interromperam operações quatro vezes em 2026. Governo e órgãos reguladores preparam sistema inédito para detectar e neutralizar invasões no maior aeroporto da América Latina.
O peso de uma ameaça invisível
Pequenos no tamanho, gigantescos no impacto. A presença não autorizada de drones nas proximidades do Aeroporto Internacional de Guarulhos expõe a fragilidade da segurança no espaço aéreo paulista. Apenas em 2026, dados da NAV Brasil registram quatro paralisações causadas por essas aeronaves não tripuladas, nos meses de janeiro, fevereiro, maio e agosto.
O caso mais grave ocorreu em 19 de agosto, quando os pousos e decolagens foram suspensos por meia hora. O efeito dominó foi imediato: segundo a ABEAR, 20 voos precisaram ser desviados — inclusive para aeroportos como Viracopos —, oito foram cancelados e cerca de 4,9 mil passageiros acabaram prejudicados. Mais do que o risco iminente de colisão, a mera presença do equipamento obriga o controle aéreo a interromper o tráfego por rígidas medidas de prevenção.
“A paralisação de apenas 30 minutos em agosto desviou 20 voos, cancelou outros oito e impactou quase 5 mil passageiros no maior terminal da América Latina.”
Norma sem barreira física
A regulamentação brasileira existe e é clara. A norma ICA 100-40, atualizada pelo DECEA em julho de 2026, estabelece distâncias de segurança rigorosas:
- Voos até 30m de altitude: raio mínimo de 3 milhas náuticas (~5,4 km) do aeródromo.
- Voos entre 30m e 120m: raio mínimo de 5 milhas náuticas (~9 km).
Entretanto, legislações funcionam como diretrizes de acesso, e não como cercas invisíveis. A norma por si só não impede que um drone seja decolado de forma irregular ou mal-intencionada a poucos metros da pista.
Blindagem tecnológica a caminho
Para fechar essa lacuna, o Ministério de Portos e Aeroportos determinou à Anac que Guarulhos seja o pioneiro no Brasil a implementar um sistema integrado de detecção, monitoramento e neutralização de drones.
A força-tarefa reunirá Anac, Polícia Federal, DECEA, Receita Federal e Anatel:
- Concessionária: responsável por adquirir e operar as tecnologias de rastreio e abate de sinal.
- DECEA: delimitará as zonas de proteção e definirá protocolos de pausa e retomada de voos.
- Anatel: fará a homologação dos equipamentos radioelétricos.
O tamanho do desafio
Com 47,1 milhões de passageiros movimentados em 2025, Guarulhos lidera o tráfego aéreo da América Latina e do Caribe. Qualquer travamento na pista reverbera em conexões nacionais e internacionais em questão de minutos.
O foco das autoridades agora vai além da simples proibição legal: o objetivo é garantir resposta tecnológica em tempo real, identificando a origem do drone e desativando-o sem gerar novos riscos para as aeronaves e passageiros.
É essa lacuna que o novo sistema pretende enfrentar, busca reduzir essa vulnerabilidade e ampliar a capacidade de resposta antes que uma ocorrência se transforme em tragédia.
Fonte: NAV Brasil | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: @apaixonadosporaviacao













