Conversas atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro mencionam mulheres estrangeiras, incluindo refugiadas ucranianas, festas privadas e um suposto encontro envolvendo “Kassio”; ministro nega relação com o empresário
Mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxeram novos desdobramentos sobre uma suposta rede internacional de prostituição que teria recrutado mulheres estrangeiras para festas privadas e encontros com convidados influentes. Entre os nomes mencionados nas conversas está o do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.
Segundo reportagem publicada pelo UOL em 13 de outubro de 2026, a estrutura investigada teria movimentado pelo menos R$ 4,3 milhões e operado desde 2023, com recrutamento de mulheres brasileiras e estrangeiras. Parte das conversas trata de refugiadas ucranianas que deixaram o país em razão da guerra.
Mensagens citam ministro em festa privada
Um dos episódios descritos nas reportagens ocorreu em 28 de fevereiro de 2025, em uma festa realizada no triplex de Vorcaro, em São Paulo. Um funcionário teria informado ao empresário que cedeu um quarto para um “ministro com 5 meninas”.
Dias depois, uma intermediária cobrou R$ 10 mil e afirmou que uma das mulheres havia ficado com alguém identificado como “Kassio”. Investigadores citados pelo UOL interpretaram a referência como uma possível menção a Nunes Marques. Entretanto, as mensagens não identificam expressamente o ministro como participante da festa, e não há confirmação de que o pagamento tenha sido realizado.
Em nota à imprensa, Nunes Marques negou ter trocado mensagens com Vorcaro ou solicitado favores ao empresário. Também afirmou que nunca autorizou terceiros a falar em seu nome e que não pode ser responsabilizado por conversas ou ações de outras pessoas.
Refugiadas ucranianas aparecem nas conversas
A reportagem do UOL também descreve diálogos sobre o recrutamento de uma jovem ucraniana de 19 anos, que chegou ao grupo em outubro de 2023. As mensagens indicariam discussões sobre hospedagem, deslocamentos e a possibilidade de encaminhar mulheres para uma agência.
Os registros levantam questões sobre as condições de recrutamento e a eventual exploração de pessoas em situação de vulnerabilidade. A existência de conversas e movimentações financeiras, porém, não comprova automaticamente todos os crimes que possam estar sob investigação.
Vorcaro contesta as acusações
A defesa do ex-banqueiro negou envolvimento com uma rede de prostituição e classificou as acusações como falsas e descontextualizadas. Vorcaro também questionou a divulgação de mensagens privadas e afirmou estar disposto a colaborar com as autoridades.
O caso exige apuração sobre a origem dos recursos, o papel dos intermediários e as circunstâncias em que as mulheres eram recrutadas e encaminhadas aos eventos. Até que existam provas conclusivas, é necessário distinguir as suspeitas relatadas nas mensagens das responsabilidades individuais que possam ser demonstradas pelas autoridades.
Fonte: UOL /Concepção do Texto: Eraldo Costa / Imagem: Igor Serra / Ag. Fred Pontes / Bahia Notícias













