Órgão independente critica restrições a contas políticas e alerta para riscos à liberdade de expressão e à integridade das eleições; recomendação prevê maior transparência nos processos eleitorais de diferentes países
O Conselho de Supervisão da Meta identificou falhas recorrentes na moderação de conteúdo político durante períodos eleitorais e cobrou mudanças nos mecanismos de fiscalização da empresa. Em comunicado divulgado na terça-feira (20), o órgão citou problemas no Brasil e nos Estados Unidos e defendeu regras mais transparentes e consistentes para proteger o debate político em eleições ao redor do mundo.
A manifestação ocorre durante a reta final do segundo turno da eleição presidencial brasileira, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), e poucas semanas antes das eleições legislativas norte-americanas, marcadas para 3 de novembro.
Brasil: restrições atingiram anúncios de Lula
No caso brasileiro, o conselho criticou a aplicação excessivamente rigorosa das regras antifraude às contas de anúncios da campanha de Lula. Para o colegiado, o episódio deveria ter sido encaminhado a uma equipe interna especializada, capaz de avaliar o impacto da restrição sobre a atividade política.
A Meta afirma que o bloqueio ocorreu por erro técnico e nega favorecimento a qualquer candidato. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por sua vez, cobrou garantias de tratamento igualitário às campanhas presidenciais.
Estados Unidos: conta de movimento político foi suspensa
Nos Estados Unidos, o conselho citou a suspensão temporária da conta do movimento No Kings, que organiza protestos contra políticas do presidente Donald Trump. O perfil foi retirado do ar por mais de uma hora, às vésperas de manifestações nacionais realizadas no último fim de semana.
A empresa atribuiu o episódio a uma falha dos sistemas automatizados de segurança, que identificaram incorretamente a atividade como possível comportamento de robôs. A Meta pediu desculpas, mas os organizadores cobraram explicações e garantias para evitar novos bloqueios.
Cobrança vale para outras eleições
O conselho identifica dois riscos principais: o excesso de moderação, que pode silenciar manifestações políticas legítimas, e a moderação insuficiente, que pode permitir conteúdos capazes de comprometer a integridade eleitoral.
O órgão também voltou a cobrar indicadores públicos que permitam medir a eficácia das políticas da Meta, em vez de apresentar apenas números gerais de anúncios armazenados ou contas removidas.
A manifestação não comprova uma tentativa deliberada de manipular eleições no Brasil ou nos Estados Unidos. O alerta, porém, amplia a pressão sobre a empresa para demonstrar que suas regras são aplicadas de maneira consistente, especialmente em períodos de maior disputa política.
Fontes: The Oversight Board, Agência Brasil e Reuters | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: © Marcello Casal jr/Agência Brasil













