Exportação travada e tensão diplomática: o impacto do tarifaço de Trump no estado paraense.
A Câmara Municipal de Belém, sede da próxima Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), aprovou por ampla maioria a declaração de Donald Trump como “persona non grata”. A medida reflete a insatisfação com a decisão do governo norte-americano de aplicar um tarifaço de até 50% sobre produtos brasileiros, atingindo em cheio a cadeia produtiva do açaí, um dos principais motores econômicos da região Norte.
Açaí sob pressão: impactos econômicos imediatos
Mais de 11 toneladas de açaí destinadas aos Estados Unidos estão retidas no Amapá. Diante da elevação tarifária — de 10% para 50% —, os produtores optaram por suspender temporariamente as exportações. O aumento inviabiliza a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional, provocando perdas financeiras e incertezas entre pequenos e médios produtores.
Por que o açaí virou protagonista do embate?
O estado do Pará responde por 94% da produção nacional de açaí. Cerca de 300 mil pessoas, entre ribeirinhos e trabalhadores urbanos, dependem diretamente dessa cadeia produtiva. Em 2023, o Pará exportou mais de 61 mil toneladas da fruta, com um faturamento de US$ 45 milhões — 40% desse total teve como destino os Estados Unidos. O tarifaço de Trump representa, portanto, um risco direto à economia da região.
COP30 e o futuro do consumo local
Com a COP30 prevista para novembro, Belém deverá receber cerca de 50 mil visitantes. A expectativa é de alta na demanda por produtos regionais, incluindo o açaí. Especialistas alertam, no entanto, que a combinação entre menor oferta — devido a fatores climáticos — e alta demanda internacional poderá elevar os preços no mercado interno, penalizando o consumidor local.
Inflação do fruto e antecipação estratégica
O litro do açaí já vinha sofrendo pressão inflacionária, com reajustes de até 70% no primeiro trimestre de 2024, atribuídos a eventos climáticos extremos. Com o novo tarifaço, o preço da lata saltou de R$ 70 para até R$ 150 em algumas feiras. Segundo Everson Costa, do DIEESE, empresas norte-americanas anteciparam compras prevendo as medidas de Trump, o que acirra ainda mais o desequilíbrio na cadeia.
Diplomacia sob tensão
As tarifas também carregam um forte componente político. O presidente norte-americano justificou as medidas como defesa da liberdade de expressão, em crítica velada ao Supremo Tribunal Federal brasileiro e à condenação de Jair Bolsonaro. O gesto foi interpretado como retaliação e provocou reações no Brasil. Mesmo diante da possibilidade de um convite formal do presidente Lula para a COP30, assim como ocorreu com o pé de açaí, o clima diplomático entre os países permanece carregado e incerto.
Conclusão: o açaí na arena geopolítica
Antes símbolo de resistência da floresta e fonte de renda local, o açaí tornou-se agora peça central em disputas econômicas e diplomáticas globais. A resposta de Belém, declarando Trump indesejado durante a COP30, reforça a soberania regional frente a pressões externas que colocam em risco não apenas a economia, mas também a cultura e o futuro da Amazônia..
Fonte: www.metropoles.com / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação














