As comissões parlamentares seguem alimentando uma antiga máxima de Brasília: todos conhecem o início, mas ninguém arrisca prever o desfecho. A sessão de segunda-feira, 17, da CPI do INSS, reforçou essa lógica ao ser cancelada após os dois depoentes convocados apresentarem justificativas para não comparecer. O episódio reacende discussões sobre limites, uso político e imprevisibilidade que cercam esse tipo de investigação.
Habeas corpus e atestado justificam ausências
O empresário Thiago Schettini obteve habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que o desobrigou de prestar depoimento. O ex-coordenador de Pagamentos e Benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, apresentou atestado médico, alegando impossibilidade de comparecer.
Apesar disso, a junta médica do Senado avaliou que o ex-servidor está apto para prestar esclarecimentos. Diante desse parecer, a CPI deve remarcar a oitiva, mantendo a expectativa de continuidade das apurações. A decisão evidencia a disputa entre justificativas individuais e o esforço parlamentar para avançar no inquérito.
Presidente da CPI afirma que investigação seguirá
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), reagiu às ausências com firmeza.
“Nenhuma manobra, ausência ou protelação irá impedir o avanço das investigações. Esta comissão seguirá firme, comprometida e determinada a expor toda a verdade sobre o maior escândalo contra aposentados, viúvas e órfãos do Brasil”, declarou o parlamentar.
A fala busca reforçar a autoridade da comissão e sinaliza que eventuais atrasos não devem alterar o curso pretendido pelos membros do colegiado.
Depoentes ocupam posições-chave no caso
Schettini é apontado por parlamentares como um dos operadores do esquema de descontos não autorizados em benefícios previdenciários. O deputado Rogério Correia (PT-MG) argumenta que o empresário mantinha relações com entidades beneficiadas pelo suposto esquema e com Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.
Já Jucimar aparece como peça relevante na engrenagem descrita pelos investigadores. Segundo o senador Izalci Lucas (PL-DF), o ex-coordenador assinou uma nota técnica que autorizou o desbloqueio em lote de descontos associativos solicitados pela Contag, medida vista como central para a continuidade das irregularidades.
“Jucimar é apontado como peça central na estrutura que sustentou o desvio sistemático de recursos dos aposentados e pensionistas”, afirmou o senador.
O ex-servidor já havia sido alvo de pedido de prisão em setembro e foi o primeiro investigado a recorrer ao STF com pedido de habeas corpus.
Fonte: www.estadao.com.br / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Nano Banana














