Um teste inédito realizado pelo Guarulhos em Foco revelou que sistemas de inteligência artificial (IAs) conseguem resolver questões do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) com precisão quase absoluta. A avaliação demonstrou desempenho excepcional em conteúdos complexos de Ciências da Natureza e Matemática, aplicados no segundo dia de provas do certame de 2025, sinalizando uma transformação iminente nos padrões de avaliação e no próprio processo educacional brasileiro.
O estudo comparativo envolveu duas plataformas de IA de ponta: a Gemini (Google) e a DeepSeek. Juntas, as duas IAs alcançaram uma média de acertos de 96,88%. nas questões do caderno cor Azul, consolidando um novo patamar de excelência.
O Desempenho das Gigantes: Gemini e DeepSeek
A plataforma Gemini estabeleceu um marco ao acertar 86 das 90 questões, o que se traduz em uma taxa de precisão de 95,56%. Por sua vez, a DeepSeek demonstrou um desempenho ainda mais notável, com 88 acertos em 90 questões analisadas, atingindo uma precisão de 98,20%.
Ambas as IAs processaram as respostas em meros 20 minutos, um feito que ultrapassa significativamente a média de tempo gasta por candidatos humanos. A precisão do resultado, no entanto, é o fator que mais surpreende os educadores.
| Plataforma de IA | Questões Analisadas | Acertos | Taxa de Precisão |
| DeepSeek | 90 | 88 | 98,20% |
| Gemini | 90 | 86 | 95,56% |
| Média Combinada | 172 | 167 | 96,88%. |
O Fator Exclusão: Onde Outras IAs Falharam
É crucial notar que nem todas as plataformas de IA conseguiram executar a tarefa. O ChatGPT gratuito, por exemplo, não demonstrou a capacidade de processar e resolver o conjunto de questões do ENEM, o que sublinha a diferença de desempenho entre os modelos de linguagem mais avançados e as versões de acesso mais limitado.
As divergências entre as IAs e o gabarito extraoficial foram mínimas. A Gemini divergiu em quatro questões, sendo a mais notável a Questão 141 (Geometria Espacial Tridimensional). A DeepSeek apresentou apenas uma divergência, na Questão 144, também envolvendo geometria espacial. Tais discrepâncias levantam o debate sobre “possíveis ambiguidades na formulação da questão ou na chave de resposta adotada”, segundo observadores.
Dominância Cognitiva e o Crescimento Exponencial da IA
As plataformas demonstraram excelência consistente em ambas as áreas do conhecimento. Em Ciências da Natureza, o raciocínio lógico-matemático para físico-química e biologia molecular mostrou-se inabalável. Similarmente, em Matemática, as IAs solucionaram tópicos avançados como probabilidade, funções logarítmicas e análise combinatória com clareza, exibindo competência especial em problemas que exigem a aplicação de múltiplas etapas de raciocínio.
Este resultado é emblemático, pois ocorre no primeiro ano em que o ENEM é confrontado com o crescimento exponencial da tecnologia de IA. A capacidade das IAs em absorver e aplicar o conhecimento complexo em um exame de larga escala como o ENEM sublinha a rápida evolução dos modelos de linguagem e sua crescente proficiência em tarefas cognitivas complexas.
A Geração Imersa na Era da IA
A geração de estudantes que hoje presta o ENEM está vivenciando o imergir das IAs em todos os aspectos da vida, incluindo a educação. Este resultado impulsiona o debate sobre o futuro do ensino e da avaliação nacional.
A capacidade combinada das IAs abre vastas oportunidades de aprendizado personalizado e otimizado. A tecnologia pode atuar como uma ferramenta de apoio poderosa, identificando lacunas de conhecimento e oferecendo rotas de estudo individualizadas.
Além disso, educadores agora ponderam a necessidade de “reformular a avaliação tradicional”, deslocando o foco para habilidades humanas complementares à capacidade da máquina. O futuro da avaliação pode se concentrar em competências como o pensamento crítico, a criatividade, a ética e a capacidade de resolver problemas não estruturados, onde a intervenção humana ainda é insubstituível.
A integração consciente desta tecnologia, portanto, pode enriquecer significativamente o processo educacional, pavimentando o caminho para um modelo colaborativo entre as capacidades humanas e a inteligência artificial. A confiabilidade demonstrada pelas plataformas sugere seu potencial como ferramenta complementar, e resta acompanhar como a comunidade educacional integrará estes avanços tecnológicos em suas práticas pedagógicas.
Fonte: G1 / Redação: eraldo Costa / Imagem:














