O caso que paralisou uma das principais artérias logísticas de São Paulo ganhou um novo capítulo dramático e contraditório. Dener Laurito dos Santos, o caminhoneiro de 52 anos responsável pelo bloqueio no Rodoanel Mário Covas, reapareceu publicamente neste domingo (23). Em entrevista, ele abandonou a narrativa de protesto ou sequestro e apresentou uma justificativa clínica para o ocorrido: um “surto psicótico”.
Essa mudança de discurso ocorre logo após a Polícia Civil desmontar a tese inicial de que ele teria sido vítima de criminosos. As câmeras de monitoramento foram implacáveis ao mostrar Dener agindo sozinho, sem a intervenção de terceiros, transformando o incidente em uma performance solitária e perigosa.
Do Sequestro ao Colapso Mental
Inicialmente, Dener sustentou que criminosos o haviam amarrado e instalado explosivos em seu corpo. Contudo, confrontado pelas evidências, o motorista reformulou sua defesa. Durante a entrevista ao programa Domingo Espetacular, ele declarou não ter memória clara de como arquitetou o cenário que mobilizou o GATE e parou o trânsito por cinco horas.
“Foi um surto psicótico. Eu já não estava mais em mim. Não sei por que veio essa ideia louca.”
O arrependimento agora substitui a tensão do dia 12 de novembro. Dener afirmou sentir vergonha e pediu desculpas à população pelos transtornos causados. Ele alegou desconhecer a origem da ideia de fabricar a falsa bomba, composta por garrafas e fios, ou os motivos que o levaram a se amarrar dentro do veículo.
O Passado Fardado Revelado
Um detalhe crucial adiciona complexidade ao perfil do protagonista dessa história. Dener é ex-policial militar, tendo sido expulso da corporação em 2006. Esse histórico lança uma luz irônica sobre a situação, visto que o ex-agente da lei agora enfrenta o peso do código penal do outro lado do balcão. A experiência prévia com procedimentos de segurança contrasta com a aparente desorganização mental alegada na nova versão dos fatos.
As Consequências da Farsa
Apesar do apelo emocional e da alegação de inconsciência, a realidade jurídica de Dener permanece severa. A Polícia Civil o indiciou por falsa comunicação de crime, conforme o artigo 340 do Código Penal. Além disso, as autoridades avaliam o enquadramento no artigo 265, que trata do atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública.
A investigação prossegue para determinar se o ato foi, de fato, fruto de uma mente perturbada ou uma estratégia calculada que fugiu ao controle. O certo é que o Rodoanel voltou a fluir, mas as consequências para Dener Laurito estão apenas começando.
Fonte: Record TV/ Reprodução de ‘Domingo Espetacular’ (2025)/Record TV/ Redação: Eraldo Costa / Imegem: Dener Laurito dos Santos em entrevista à Record TV Foto: Reprodução de ‘Domingo Espetacular’ (2025)/Record TV / Equipe New vision














