A política internacional muitas vezes se escreve com linhas tortas e tinta invisível. Nesta quinta-feira, o presidente Donald Trump decidiu apagar um capítulo tenso da relação bilateral ao retirar a tarifa de 40% que incidia sobre uma vasta gama de produtos brasileiros. A medida, oficializada por ordem executiva, encerra um ciclo de retaliações que misturava comércio com os tribunais brasileiros.
Originalmente, a sobretaxa foi uma resposta direta de Washington à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Aliado de Trump, Bolsonaro recebeu uma sentença de 27 anos de prisão por tentativa de golpe. Como revide, os EUA elevaram as tarifas de 10% para 50%. Agora, a poeira política assenta e o comércio respira.
Alívio econômico
O novo decreto possui efeito retroativo a 13 de novembro e beneficia setores cruciais da economia nacional. A lista de isenções é extensa e vai do café da manhã à indústria pesada. Entre os destaques agrícolas, estão:
- café;
- carne bovina;
- açaí;
- cacau;
- banana;
- tomate;
- coco;
- castanha de caju;
- mate;
- especiarias, como pimenta, canela, baunilha, cravo e noz-moscada.
Além de itens industriais estratégicos. Combustíveis fósseis, produtos químicos, celulose e componentes para a aviação civil também foram liberados da barreira alfandegária. A decisão harmoniza as regras comerciais, garantindo que nem as punições de abril, nem as de julho, afetem essas mercadorias.
De Nova York a Kuala Lumpur
A virada de chave não ocorreu por acaso. Ela é fruto de uma aproximação diplomática que, para muitos, parecia improvável. Tudo começou com um encontro casual nos corredores da ONU, em Nova York, seguido por uma conversa telefônica e selado em uma reunião presencial em Kuala Lumpur, na Malásia, em 26 de outubro.
“Lula e Trump iniciaram as negociações após uma reunião descrita como positiva por ambos os lados, onde surgiu uma ligação entre os líderes.”
Essa “química” diplomática permitiu que as equipes técnicas avançassem. O Brasil, que amarga um déficit comercial com os EUA há quinze anos, viu na negociação uma oportunidade de estancar prejuízos.
O próximo passo do Itamaraty
Embora o governo brasileiro tenha classificado a medida como positiva, a diplomacia não pretende descansar. O Itamaraty afirmou que continuará negociando para eliminar tarifas remanescentes. O objetivo é ampliar o acesso ao mercado americano, provando que, no fim das contas, os interesses de estado devem prevalecer sobre as disputas de aliados políticos do passado.
Fonte: www.oglobo.globo.com / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Nano Banana














