Na manhã de 28 de fevereiro de 2026, um ataque aéreo destruiu uma escola primária feminina na cidade de Minab, no sul do Irã, durante os primeiros ataques militares conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o país. Autoridades iranianas relataram que dezenas de estudantes foram mortas enquanto assistiam às aulas, tornando este o episódio com maior número de vítimas civis desde o início da ofensiva.
Impacto humano e funerais em Minab
A escola atingida, a Shajareh Tayyebeh, atendia meninas em idade primária, principalmente entre 7 e 12 anos, conforme relataram fontes internacionais sobre a natureza da instituição e as idades aproximadas das alunas no momento do ataque.
Na terça-feira (3), milhares de moradores se reuniram para enterrar as vítimas, em cerimônias que foram amplamente divulgadas. Caixões cobertos pela bandeira iraniana foram levados em cortejos pela cidade, e familiares exibiram fotos das vítimas enquanto expressavam luto e indignação.
A estimativa oficial iraniana aponta que pelo menos 165 meninas e funcionárias morreram no ataque, com muitos outros feridos, embora o número exato ainda não tenha sido verificado de forma independente.
Escolas separadas por gênero
No sistema educacional iraniano, a separação por gênero é regra legal na educação pública desde a infância até o fim do ensino médio. Isso significa que:
- Meninos e meninas frequentam escolas diferentes desde a educação infantil e ao longo da educação básica.
- A segregação por gênero também está presente em muitos outros espaços sociais e públicos no país, como parte de políticas influenciadas por normas culturais e religiosas.
- Essa prática é oficial e generalizada, e não um caso isolado. Em termos práticos, é normal que uma escola seja exclusivamente feminina ou masculina em praticamente todo o sistema de ensino primário e secundário no Irã.
Negativas e narrativas conflitantes
O governo do Irã atribuiu a responsabilidade pelo ataque às forças dos Estados Unidos e de Israel, declarando que mísseis teriam atingido o prédio escolar. Em resposta, autoridades americanas afirmaram que não “atingiriam deliberadamente uma escola” e que estão investigando as circunstâncias do episódio. Israel, por sua vez, declarou que não tinha conhecimento de operações naquela área específica no momento do ataque.
Repercussão e pedidos de investigação
Organizações internacionais reagiram ao ocorrido. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) classificou o ataque como uma violação grave do direito humanitário, reforçando que escolas são espaços protegidos.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu uma investigação imparcial e aprofundada das circunstâncias que levaram à destruição da escola e às mortes das meninas. O apelo incluiu a exigência de esclarecimentos das forças envolvidas e um retorno à negociação diplomática.
Contexto do conflito e contraste internacional
Enquanto o mundo acompanha com consternação o impacto do ataque, as reações políticas ganham destaque em outras frentes.
Durante um evento na Casa Branca voltado à entrega de medalhas militares, o presidente americano Donald Trump desviou o foco do conflito e destacou detalhes de decoração e reforma de um salão de festas, incluindo referências a cortinas douradas, em vez de abordar diretamente a gravidade da escalada militar e a crise humanitária em curso. Essa postura gerou críticas e debates nas redes sociais e entre observadores internacionais sobre prioridades em meio ao conflito global.
Nesse cenário, a tragédia em Minab permanece como um símbolo contundente do custo humano da guerra, particularmente para civis e crianças em zonas de combate, e intensifica a pressão por esclarecimentos e responsabilização.
Fonte: Texto e Concepção de Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA / GPT














