Agência avalia manter ou revogar medida que suspendeu fabricação e comercialização de produtos da marca após inspeção em fábrica no interior de São Paulo
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve decidir nesta quarta-feira (13) se mantém a suspensão da fabricação e comercialização de lotes de produtos da Ypê após inspeção sanitária realizada na fábrica da empresa em Amparo, no interior de São Paulo.
A medida cautelar foi adotada depois que técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo identificaram falhas consideradas graves no processo de fabricação da unidade da Química Amparo, responsável pela marca.
Relatórios divulgados após a fiscalização mostram equipamentos com marcas de corrosão, problemas em sistemas de controle de qualidade e armazenamento inadequado de resíduos industriais. Segundo a Anvisa, as irregularidades podem representar risco de contaminação microbiológica nos produtos.
Bactéria foi encontrada em dezenas de lotes
Documentos da inspeção apontam que análises laboratoriais identificaram resultados positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa em cerca de 80 lotes de produtos acabados entre dezembro de 2025 e abril de 2026. De acordo com os fiscais, parte desses produtos não teria sido reprovada internamente pelo controle de qualidade da empresa.
A suspensão atinge lotes específicos de lava-louças, lava-roupas líquidos e desinfetantes com numeração final 1. A Anvisa orientou consumidores a interromperem imediatamente o uso dos produtos afetados e procurarem o serviço de atendimento da empresa para informações sobre recolhimento.
Ypê diz que não houve contaminação
Em nota enviada à imprensa, a Ypê afirmou que a inspeção não encontrou contaminação nos produtos e sustentou que as imagens divulgadas mostram áreas sem contato direto com os itens comercializados. A empresa também informou que mantém parte da produção paralisada para acelerar adequações exigidas pela Anvisa.
A fabricante conseguiu efeito suspensivo temporário contra a decisão da agência, mas a análise definitiva será feita pela diretoria colegiada da Anvisa nesta semana.
Caso ganhou repercussão política
A suspensão dos lotes também provocou repercussão política nas redes sociais após aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro associarem a medida a uma suposta perseguição contra a empresa, hipótese negada por especialistas e sem comprovação oficial.
Dados públicos da própria Anvisa mostram que recolhimentos, suspensões e interdições cautelares fazem parte da rotina regulatória do setor de saneantes e atingem empresas de diferentes portes todos os anos.
Fonte: G1 | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA / Qwen














