Eduardo afirma que não houve contrato formal para sustentar a cláusula de sigilo, enquanto levantamento do UOL indica que o fundo já existia no Texas desde 2020.
O caso envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou novos desdobramentos após aliados de Eduardo Bolsonaro contradizerem publicamente a versão apresentada pelo senador Flávio Bolsonaro sobre a existência de contratos de confidencialidade ligados ao projeto.
Eduardo Bolsonaro contradisse Flávio ao afirmar que não houve contrato formal e que a cláusula de confidencialidade não se sustenta. Ele também disse que empresários evitaram se identificar por medo de represálias e boicotes. Enquanto aliados de Flávio alegam que o fundo foi criado apenas para financiar o filme, levantamento do UOL citado por Mariana Sanches mostra que a estrutura já existia no Texas desde 2 de dezembro de 2020, antes mesmo do projeto cinematográfico.
Mario Frias, ex-ministro e produtor do filme, afirmou que não houve dinheiro de Vorcaro no projeto. O caso ampliou o desgaste político em torno da produção e expôs versões contraditórias sobre o envio de recursos ao exterior.
Flávio havia dito que “mentiu” ao negar vínculos com Vorcaro por causa dessas cláusulas contratuais e que o fundo teria sido criado para fomentar a produção. Agora, a versão é questionada pelo próprio irmão. Outro ponto: o fundo Havengate Development Fund, registrado no Texas, foi criado em 2 de dezembro de 2020, antes do projeto do filme.
Isso enfraquece a versão de que a estrutura foi criada exclusivamente para captar recursos para a produção.
Investigações da Polícia Federal (PF) apuram se cerca de R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a um fundo no Texas (EUA) foram de fato utilizados na produção da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, ou se houve desvio de finalidade
Segundo interlocutores próximos a Eduardo Bolsonaro e ao deputado federal Mário Frias, produtor executivo do longa, não existiria contrato formal entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a produção do filme. A informação confronta diretamente a declaração de Flávio Bolsonaro, que afirmou ter omitido a relação com Vorcaro por causa de cláusulas contratuais de confidencialidade.
Em entrevista recente, Flávio declarou que “mentiu” ao negar anteriormente vínculos com o banqueiro, alegando obrigação contratual e proteção aos investidores do projeto.
Fundo no Texas amplia dúvidas
Outro ponto que passou a gerar questionamentos é a existência da Havengate Development Fund, fundo registrado no Texas e citado nas investigações relacionadas ao financiamento do longa.
Levantamento publicado pela colunista Mariana Sanches apontou que o fundo foi criado oficialmente em 2 de dezembro de 2020 — período anterior ao desenvolvimento do projeto cinematográfico sobre Bolsonaro. A descoberta enfraqueceu a versão de aliados de Flávio, que afirmavam que a estrutura teria sido criada exclusivamente para captar recursos destinados ao filme.
Segundo aliados de Eduardo Bolsonaro, empresários teriam preferido não aparecer publicamente por receio de represálias políticas e boicotes comerciais. A versão apresentada sustenta que Daniel Vorcaro teria atuado apenas como ponte entre investidores privados e os produtores do longa.
R$ 61 milhões enviados aos Estados Unidos
As investigações apontam que cerca de R$ 61 milhões teriam sido enviados ao Texas como parte das operações financeiras relacionadas ao projeto cinematográfico. O próprio Flávio Bolsonaro confirmou a existência de aportes vinculados ao filme.
A situação também passou a envolver diretamente Mário Frias, responsável pelo roteiro e produção executiva do longa. Inicialmente, Frias negou qualquer recurso ligado a Vorcaro no projeto. Posteriormente, aliados passaram a afirmar que os valores teriam sido operacionalizados por investidores privados e empresas intermediárias, sem relação direta formal com o banqueiro.
Produção enfrenta desgaste antes da estreia
Nos bastidores políticos, aliados avaliam que a sucessão de versões contraditórias vem ampliando o desgaste público do projeto antes mesmo da estreia.
Além das dúvidas sobre o financiamento, “Dark Horse” também enfrenta questionamentos sobre viabilidade comercial, contratos internacionais e acordos com plataformas de streaming. O longa é estrelado por Jim Caviezel e dirigido por Cyrus Nowrasteh
Fonte: UOL /Texto: Eraldo Costa | 📷: REUTERS / Adriano Machado














