Relatório do governo Trump aponta práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e reforça tensão entre Washington e Brasília às vésperas do prazo final de negociação
O governo dos Estados Unidos elevou a pressão sobre o Brasil ao concluir uma investigação comercial que pode resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) aponta uma série de práticas classificadas como prejudiciais aos interesses americanos, incluindo o funcionamento do Pix, políticas de comércio digital e a fiscalização ambiental na Amazônia.
A medida integra uma investigação aberta em 2025 por determinação do presidente Donald Trump e estabelece um prazo até 15 de julho para que o governo brasileiro apresente respostas consideradas satisfatórias por Washington.
Pix se torna um dos principais alvos da investigação
Entre os pontos destacados pelo USTR, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos aparece como uma das maiores fontes de atrito.
Na avaliação americana, o Banco Central acumula os papéis de regulador e operador do Pix, criando uma situação que poderia favorecer o sistema nacional diante de empresas privadas que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.
O documento afirma que a estrutura atual pode gerar desvantagens competitivas para companhias estrangeiras presentes no mercado brasileiro, incluindo operadoras de cartões e plataformas digitais de pagamento.
Questões ambientais também entram na pauta
Outro aspecto que chama atenção no relatório é a inclusão do desmatamento ilegal na Amazônia entre os temas analisados.
O governo americano reconhece a existência de legislação ambiental brasileira, mas argumenta que os mecanismos de fiscalização e combate aos crimes ambientais ainda seriam insuficientes para enfrentar o problema de forma efetiva.
A inclusão do tema ambiental ocorre em meio a debates sobre cadeias produtivas sustentáveis e exigências cada vez maiores de rastreabilidade no comércio internacional.
Produtos estratégicos ficam fora da taxação
Apesar da proposta de sobretaxa ampla, os Estados Unidos sinalizaram exceções para setores considerados essenciais ao abastecimento interno ou estratégicos para sua economia.
Entre os itens preservados estão:
- Carne bovina;
- Café e especiarias;
- Petróleo;
- Fertilizantes;
- Terras raras;
- Produtos farmacêuticos;
- Aeronaves e componentes aeronáuticos;
- Produtos químicos específicos.
A estratégia busca evitar impactos relevantes sobre cadeias produtivas americanas que dependem desses insumos.
Brasil amplia relações com Europa e Ásia
Enquanto as negociações seguem em curso, o cenário internacional indica uma diversificação crescente dos parceiros comerciais brasileiros.
O avanço das exportações para mercados asiáticos e europeus tem reduzido a dependência histórica em relação aos Estados Unidos. O fortalecimento das relações com países do grupo BRICS e o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia também são vistos por analistas como fatores que ampliam as alternativas comerciais do Brasil diante de eventuais barreiras impostas por Washington.
Prazo decisivo para Brasília
O cronograma definido pelos Estados Unidos prevê audiência pública em julho e a conclusão do processo até o dia 15.
Caso não haja entendimento entre os dois governos, a tarifa poderá entrar em vigor, afetando diversos setores exportadores brasileiros.
A disputa comercial ocorre em um momento de rearranjo das relações econômicas globais, marcado pela busca de novos mercados, fortalecimento de blocos regionais e aumento das disputas por influência econômica e tecnológica.
Fonte: Própria | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: Banana2














