Secretário de Estado dos EUA mantém posição do governo Trump, cita investigação comercial em andamento e sinaliza disposição para dialogar com futuros líderes brasileiros
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio respondeu oficialmente ao senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, reafirmando que o governo do presidente Donald Trump manterá a proposta de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A resposta foi enviada em carta após o parlamentar solicitar que Washington reconsiderasse a medida, alegando impactos negativos para a economia brasileira.
No documento, Rubio afirma que a posição da Casa Branca permanece respaldada pela investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que concluiu haver práticas comerciais brasileiras consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos. Segundo o secretário, o processo ainda está em curso e seguirá o cronograma previsto antes de qualquer decisão definitiva.
Investigação comercial segue em andamento
A investigação aberta pelo USTR em 2025 aponta uma série de questões que, na avaliação do governo americano, criam obstáculos ao comércio bilateral.
Entre os temas citados por Rubio estão políticas tarifárias consideradas preferenciais, dificuldades de acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro, questões envolvendo propriedade intelectual, políticas ambientais relacionadas ao desmatamento ilegal e medidas ligadas ao comércio digital, incluindo discussões sobre o sistema Pix.
O secretário também lembrou que uma audiência pública foi marcada para 6 de julho, oportunidade em que representantes de empresas, entidades e interessados poderão apresentar manifestações sobre a proposta tarifária. Após essa etapa, o governo americano decidirá se implementará integralmente as medidas sugeridas pela investigação.
Pedido de Flávio Bolsonaro não altera posição dos EUA
Na carta enviada ao governo americano no início de junho, Flávio Bolsonaro argumentou que a imposição das tarifas provocaria prejuízos para trabalhadores, empresas exportadoras e consumidores dos dois países.
O senador também afirmou que uma eventual vitória nas eleições presidenciais brasileiras poderia abrir caminho para uma nova fase nas relações entre Brasília e Washington, baseada em maior cooperação econômica e comercial.
Apesar do apelo, Rubio deixou claro que, neste momento, não há mudança na política comercial adotada pela administração Trump e que as divergências identificadas pela investigação continuam sendo consideradas “substanciais”.
Combate ao crime organizado aproxima governos
Embora tenha mantido posição firme sobre o tarifaço, Rubio agradeceu a Flávio Bolsonaro pelo apoio à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como Organizações Terroristas Globais Especialmente Designadas.
Segundo o secretário, a medida busca ampliar o combate ao crime organizado transnacional por meio do bloqueio de ativos financeiros e da intensificação da cooperação internacional entre agências de segurança.
Eleições de 2026 entram no contexto diplomático
Na parte final da correspondência, Rubio afirmou que os Estados Unidos acompanham o cenário político brasileiro e manifestou disposição para trabalhar com os líderes democraticamente eleitos nas eleições presidenciais de 2026.
O secretário também mencionou a expectativa expressada por Flávio Bolsonaro sobre o pleito e afirmou que Washington continua interessado em construir uma relação comercial considerada “justa e mutuamente benéfica” com o Brasil, independentemente do resultado eleitoral.
A troca de cartas ocorre em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e acrescenta um componente político ao debate sobre a política externa brasileira em meio à corrida presidencial de 2026.
Fonte: SBT News | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | Gemini














