Empresas diversificaram mercados, ampliaram vendas para Ásia, Oriente Médio e Europa e reduziram a dependência do mercado norte-americano desde o início das tarifas, em julho de 2025.
10 de julho de 2026 marca um ano desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, medida que passou a redesenhar o comércio bilateral entre os dois países. Na época, o mercado projetava forte queda nas exportações e prejuízos bilionários para diversos setores da economia brasileira.
Doze meses depois, porém, o cenário mostra uma realidade diferente. Embora segmentos específicos tenham perdido espaço nos Estados Unidos, o Brasil conseguiu preservar sua competitividade internacional e registra um superávit comercial próximo de US$ 40 bilhões, resultado sustentado principalmente pela rápida adaptação dos exportadores e pela abertura de novos mercados.
Diversificação reduziu dependência dos EUA
Uma das principais mudanças ocorreu na geografia das exportações brasileiras.
Dados analisados por especialistas mostram que a participação dos Estados Unidos nas exportações do Brasil caiu de aproximadamente 12,5% para 9,5% ao longo do último ano. Em contrapartida, países como China, Índia, integrantes da União Europeia e mercados do Oriente Médio ampliaram suas compras de produtos brasileiros.
A China foi o principal destino desse redirecionamento comercial, aumentando sua participação nas exportações brasileiras, enquanto diversos setores encontraram compradores em mercados que antes tinham menor relevância.
Setores encontraram alternativas
Dos principais segmentos exportadores que vendiam para os Estados Unidos, a maioria precisou reorganizar sua estratégia comercial.
Levantamentos indicam que, entre os setores que perderam participação no mercado norte-americano, grande parte conseguiu compensar as perdas ampliando negócios com outros países. Em alguns casos, como os setores têxtil, de borracha e derivados de petróleo, houve inclusive crescimento das exportações para os próprios Estados Unidos.
Além da busca por novos compradores, empresas aceleraram investimentos em logística, diversificação de clientes e produtos com maior valor agregado, reduzindo a exposição às oscilações provocadas pelas tarifas.
Exportações voltam a crescer
Outro indicador considerado positivo surgiu em junho de 2026.
Depois de quase um ano de retração, as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos registraram crescimento de 3,7%, interrompendo a sequência de resultados negativos observada desde julho de 2025.
O desempenho é visto como um sinal de estabilização das relações comerciais e demonstra que parte das empresas conseguiu adaptar seus contratos e operações ao novo ambiente tarifário.
Cenário ainda exige cautela
Apesar da recuperação parcial, especialistas alertam que o ambiente permanece desafiador.
A Câmara Americana de Comércio (Amcham) estima que novas ampliações das tarifas poderão afetar bilhões de dólares em exportações brasileiras caso novas medidas sejam implementadas. Ainda assim, a experiência acumulada no último ano mostra que o setor exportador brasileiro respondeu com rapidez, diversificando mercados e reduzindo a dependência de um único parceiro comercial.
Para analistas, o principal aprendizado deixado pelo primeiro ano do tarifaço é que a estratégia de internacionalização das empresas brasileiras ganhou força, tornando a pauta exportadora mais distribuída e menos vulnerável às decisões políticas de um único país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br | Concepção do Texto: Eraldo Costa | 📷:














