Com duas assistências de Lionel Messi nos minutos finais, a atual campeã elimina a Inglaterra, garante vaga na decisão contra a Espanha e mantém vivo o sonho do bicampeonato mundial consecutivo
Há seleções que vencem pela força coletiva. Outras, pela qualidade técnica. A Argentina de Lionel Messi parece ter desenvolvido uma característica que a diferencia das demais: a capacidade de transformar os minutos finais em seu momento mais perigoso.
Foi assim mais uma vez nesta quarta-feira (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. Depois de sair atrás no placar diante da Inglaterra, a equipe comandada por Lionel Scaloni encontrou forças para reagir quando muitos já imaginavam a classificação inglesa. Em apenas sete minutos, a Argentina virou o jogo, venceu por 2 a 1 e garantiu presença em mais uma final de Copa do Mundo.
A classificação não representa apenas a chance de defender o título conquistado em 2022. Ela consolida uma identidade construída ao longo deste Mundial: uma equipe que nunca deixa de acreditar e que parece guardar sua melhor versão justamente quando o relógio se aproxima do fim.
Enquanto parte da torcida inglesa já comemorava uma vaga histórica na decisão, Messi voltou a mostrar por que continua sendo um dos maiores jogadores da história do futebol.
Quando parecia decidido, Messi mudou a história
A Inglaterra chegou à semifinal embalada por uma campanha consistente. A equipe de Thomas Tuchel havia sofrido poucos gols durante a competição e apostava em uma postura sólida defensivamente para neutralizar o talento argentino.
A estratégia funcionou durante boa parte do jogo.
Aos 55 minutos, Anthony Gordon aproveitou uma jogada rápida para abrir o placar e colocar os ingleses em vantagem. A partir daí, a Inglaterra recuou suas linhas, reforçou a marcação e passou a administrar o resultado.
Durante quase meia hora, o plano deu certo.
Mas enfrentar Messi significa conviver com a possibilidade de que tudo mude em um único lance.
Aos 85 minutos, o camisa 10 recebeu entre as linhas, levantou a cabeça e encontrou Enzo Fernández livre na entrada da área. O volante acertou um chute preciso, sem chances para Jordan Pickford.
O empate devolveu confiança à Argentina e mudou completamente o ambiente da partida.
Os ingleses sentiram o golpe.
A equipe de Scaloni aumentou a pressão, ocupou o campo ofensivo e passou a controlar praticamente todas as ações do jogo.
Já nos acréscimos, aos 92 minutos, Messi voltou a aparecer.
Recebeu pela direita e fez aquilo que poucos conseguem repetir com tanta naturalidade: cruzou exatamente onde Lautaro Martínez pisaria segundos depois.
O atacante entrou no lugar de Julián Álvarez para decidir.
Cabeçada firme.
Virada.
Explosão nas arquibancadas tomadas por torcedores argentinos.
Em poucos minutos, a eliminação transformou-se em classificação.
Messi continua escrevendo capítulos inéditos
Aos 39 anos, Lionel Messi já não precisa provar mais nada ao futebol.
Mesmo assim, continua colecionando recordes.
Contra a Inglaterra, não marcou gols.
Mas participou diretamente dos dois lances decisivos da semifinal.
Com as duas assistências, ampliou sua marca como o maior garçom da história das Copas do Mundo e voltou a ser o protagonista da seleção argentina justamente quando o time mais precisava.
Após a partida, Messi destacou a força mental da equipe.
“Hoje fomos buscar o resultado outra vez quando ficou difícil. Nunca deixamos de acreditar.”
Na sequência, fez questão de dividir os méritos com todo o grupo.
“Esta equipe sempre compete. Este grupo já não deve nada a ninguém.”
Sobre a decisão contra a Espanha, preferiu manter a serenidade.
“Agora será o que Deus quiser.”
Uma seleção que nunca para de acreditar
Existe um padrão na campanha argentina.
Contra o Egito, o gol da classificação saiu nos minutos finais.
Diante da Suíça, foi preciso suportar a pressão até a prorrogação para seguir viva.
Agora, contra a Inglaterra, novamente a reação aconteceu quando restavam poucos minutos.
Não se trata apenas de talento.
Há uma confiança coletiva que faz a equipe continuar atacando quando muitos times passariam a administrar o empate.
Scaloni resumiu esse espírito após a semifinal.
“Sentimos que o momento era nosso e continuamos acreditando.”
Os números ajudam a explicar a pressão.
Depois do gol inglês, a Argentina passou a controlar quase completamente a posse de bola, sufocando o adversário até encontrar os espaços que mudariam a partida.
O contraste entre quem acredita e quem apenas espera
A Inglaterra parecia ter o jogo sob controle.
Mas, ao recuar excessivamente após abrir o placar, permitiu que a Argentina assumisse o comando das ações.
Harry Kane reconheceu isso após o apito final.
“Depois do nosso gol, deixamos de jogar. Contra uma equipe desse nível, isso custa muito caro.”
Foi exatamente o que aconteceu.
Enquanto os ingleses defendiam a vantagem, os argentinos continuavam procurando uma oportunidade.
Ela apareceu.
E foi suficiente.
A marca desta Copa: o jogo só acaba quando termina
A campanha da Argentina em 2026 talvez possa ser resumida em uma frase conhecida do futebol.
O jogo só acaba quando termina.
A cada fase eliminatória, a equipe mostrou que o tempo nunca parece ser um inimigo.
Pelo contrário.
Quanto mais o relógio avança, maior parece ser a confiança dos jogadores argentinos.
Há quem diga que Messi possui um plano para cada partida.
Não importa se com emoção ou sofrimento.
A impressão é que a Argentina espera o momento exato para atacar.
Enquanto adversários comemoram antes da hora, Messi e seus companheiros seguem jogando.
Foi assim contra o Egito.
Foi assim diante da Suíça.
Foi assim novamente contra a Inglaterra.
E agora será assim na final.
O último desafio: Espanha
No próximo domingo (19), às 16h (horário de Brasília), a Argentina enfrentará a Espanha no MetLife Stadium, em Nova Jersey.
Será a sétima final mundial da história da seleção argentina.
Mais do que levantar outra taça, a equipe buscará um feito histórico.
Se conquistar o título, será a primeira seleção desde o Brasil de Pelé, em 1958 e 1962, a conquistar dois títulos mundiais consecutivos.
Também será mais um capítulo do encontro entre gerações.
De um lado, Lionel Messi, vivendo possivelmente sua última Copa do Mundo.
Do outro, Lamine Yamal, principal símbolo da nova geração do futebol espanhol.
A experiência contra a juventude.
A história contra o futuro.
Ficha da partida
Copa do Mundo de 2026 – Semifinal
Argentina 2 x 1 Inglaterra
Gols
- Anthony Gordon (ING) – 55′
- Enzo Fernández (ARG) – 85′
- Lautaro Martínez (ARG) – 90+2′
Assistências de Messi: 2
Local: Mercedes-Benz Stadium – Atlanta (EUA)
Data: 15 de julho de 2026
A decisão
Final da Copa do Mundo de 2026
19 de julho (domingo)
MetLife Stadium – Nova Jersey
Argentina x Espanha
16h (horário de Brasília)
TV Globo, sportv, Globoplay, ge, CazéTV, SBT e NSports
O jogo só acaba quando termina
Há seleções que entram para a história pelos títulos. Outras, pela forma como conquistam suas vitórias. A Argentina de 2026 reúne os dois elementos. Sob a liderança de Lionel Messi, a equipe transformou a persistência em marca registrada e mostrou, mais uma vez, que desistir não faz parte do seu vocabulário.
Contra a Inglaterra, a classificação parecia escapar até que o camisa 10 assumiu o protagonismo nos instantes decisivos. Foram duas assistências, uma virada memorável e mais uma demonstração de que o talento pode mudar o rumo de uma partida quando tudo parece definido.
No domingo, diante da Espanha, a Argentina terá a oportunidade de alcançar um feito raro: conquistar o bicampeonato mundial consecutivo. Se repetirá o roteiro das últimas partidas ninguém pode prever. Mas uma certeza acompanha esta seleção durante toda a campanha: enquanto houver tempo no relógio, haverá esperança. Afinal, com Messi e seus companheiros, o jogo só acaba quando termina.
Fonte: Própria | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | Qwen














