Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirma que Washington pretende levar para o território de países aliados a campanha militar contra organizações classificadas como terroristas; Colômbia pede operações conjuntas
Os Estados Unidos anunciaram uma nova etapa da ofensiva militar contra organizações de narcotráfico na América Latina. O secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13) que Washington está preparando operações em território de países aliados para combater grupos que os EUA classificam como organizações terroristas.
A declaração foi feita durante uma reunião da Americas Counter-Cartel Coalition, realizada no Panamá. Segundo Hegseth, a estratégia pretende ampliar para o território terrestre os ataques que os Estados Unidos já vêm realizando contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe e no Pacífico.
Colômbia pede operações militares conjuntas
A nova estratégia ganhou força após a aproximação entre Washington e o governo do recém-empossado presidente colombiano Abelardo de la Espriella.
Hegseth afirmou que o governo colombiano solicitou formalmente a participação dos Estados Unidos em operações militares conjuntas contra organizações de narcotráfico e redes consideradas terroristas.
A Colômbia também passou a integrar o Shield of the Americas, iniciativa criada pelo governo de Donald Trump para reunir países do continente em uma estratégia coordenada de combate ao narcotráfico. Com a entrada colombiana, a aliança chegou a 19 integrantes, segundo o governo americano.
O anúncio representa uma mudança significativa em relação à política adotada pelo governo anterior da Colômbia, que não havia aderido à iniciativa liderada por Trump.
Estratégia militar ganha espaço no combate ao tráfico
Hegseth defendeu a utilização, no Hemisfério Ocidental, de capacidades militares desenvolvidas pelos Estados Unidos durante décadas de operações contra grupos terroristas.
O secretário citou ferramentas utilizadas para identificar, localizar, acompanhar e atingir alvos e afirmou que Washington pretende empregar essas capacidades contra redes de narcotráfico consideradas ameaças à segurança americana e de países parceiros.
A estratégia amplia uma campanha que já provocou operações militares contra suspeitos de tráfico em águas internacionais.
Em março, Estados Unidos e Equador realizaram uma operação conjunta contra uma estrutura apontada como ligada ao narcotráfico. Os dois governos apresentaram a ação como parte da cooperação contra o chamado narcoterrorismo.
Brasil e México estão fora da coalizão
Entre as principais potências latino-americanas, Brasil e México não participam da coalizão liderada pelos Estados Unidos.
O governo americano adotou uma política mais dura ao classificar determinadas organizações criminosas latino-americanas como grupos terroristas. A medida é contestada por governos e especialistas que questionam a utilização de força militar contra organizações criminosas tradicionalmente tratadas como caso de segurança pública e investigação criminal.
No caso brasileiro, a classificação americana de grupos como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não conta com o mesmo enquadramento adotado por Washington.
Até o momento, não há indicação de que os Estados Unidos tenham anunciado operações militares terrestres no Brasil. Questionado sobre a possibilidade de ações em países que não integram a coalizão, o Departamento de Defesa americano não apresentou resposta, segundo a Folha.
Escalada aumenta preocupação regional
A ampliação da atuação militar americana ocorre em meio ao aumento das tensões envolvendo países latino-americanos e a política antidrogas do governo Trump.
Críticos das operações questionam os riscos de mortes de civis, violações do direito internacional e ampliação de conflitos militares em uma região onde o combate ao narcotráfico tradicionalmente envolve forças policiais, inteligência e cooperação judicial.
Hegseth, por outro lado, sustenta que as organizações classificadas pelos Estados Unidos como narcoterroristas devem ser tratadas como ameaças militares e afirmou que Washington pretende trabalhar de forma integrada com governos parceiros.
A nova estratégia coloca a América Latina diante de uma mudança de paradigma: o combate ao narcotráfico passa a incorporar de maneira mais explícita ferramentas e operações militares utilizadas anteriormente pelos Estados Unidos em conflitos contra organizações terroristas no Oriente Médio.
Fonte: Revista Forum | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: IA | Gemini














