O leite materno oferece os nutrientes necessários ao bebê e ajuda a protegê-lo contra diarreias, infecções respiratórias e alergias, além de contribuir para o crescimento e favorecer o desenvolvimento cognitivo.
A amamentação também está associada à redução do risco de obesidade, diabetes, hipertensão e colesterol alto ao longo da vida e fortalece o vínculo entre mãe e bebê. Para a mulher, amamentar também traz benefícios, como a redução do risco de hemorragia no pós-parto e de desenvolvimento de alguns tipos de câncer, entre eles o de mama e o de ovário.
O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo nos primeiros seis meses de vida e sua continuidade até os dois anos ou mais, associado à alimentação complementar saudável a partir dos seis meses.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), bebês que são amamentados têm um risco 60% menor de óbito por síndrome de morte súbita infantil em comparação com aqueles que não são amamentados.
Além de oferecer benefícios ao bebê e à mãe, o leite materno também é bom para a sociedade e para o planeta. A amamentação não deixa pegada de carbono. O leite materno é um recurso renovável, produzido pelas mães e consumido pelos bebês sem poluição, embalagens ou resíduos.
Toda quantidade faz diferença
Para um recém-nascido internado, o leite humano representa nutrição, proteção imunológica e melhores condições para crescimento e desenvolvimento. Um litro de leite doado pode contribuir para alimentar até dez recém-nascidos em um dia.
A Secretaria da Saúde ressalta que para contribuir não é preciso produzir grandes volumes. Bebês prematuros, especialmente os de menor peso, podem começar a alimentação com pequenas quantidades definidas de acordo com o peso, idade gestacional e condição clínica de cada um. Por isso, mesmo pequenas doações são importantes.
O leite recebido passa por um rigoroso processo no Banco de Leite Humano de Guarulhos antes de chegar aos bebês. Depois de coletado na residência da doadora, ele é identificado, avaliado, selecionado, classificado, processado e pasteurizado, além de submetido a controle de qualidade e, somente após a aprovação, é liberado para distribuição às unidades neonatais vinculadas ao serviço.
Apoio também ajuda a manter a amamentação
A atuação do Banco de Leite vai além da coleta e distribuição. Todos os meses, aproximadamente 500 mulheres e seus filhos procuram o serviço para receber apoio relacionado ao aleitamento materno.
Entre as dificuldades mais frequentes estão problemas de pega e posicionamento do bebê, dor e fissuras nas mamas, ingurgitamento, dificuldade de sucção, dúvidas sobre a produção de leite e insegurança materna. Situações como essas, principalmente nos primeiros dias após o nascimento, podem tornar a amamentação difícil e favorecer o desmame precoce quando não há orientação adequada.
A analista administrativa Letícia Grossi Lucas, de 31 anos, procurou o Banco de Leite após enfrentar dificuldades para amamentar a primeira filha, a pequena Cecília, que nasceu abaixo do peso. Embora a bebê mamasse, a pega não estava adequada e ela não conseguia retirar o leite de forma eficiente. Letícia conta que as orientações sobre posicionamento e pega fizeram diferença para que a filha passasse a mamar de forma mais efetiva e recebesse o leite de que precisava para ganhar peso e se desenvolver. Hoje ela tem 1 ano e sete meses e é muito saudável.
Amamentar não deve causar dor. A própria Letícia, que recebeu orientações sobre isso no Banco, compartilha que esse deve ser um ponto de atenção entre as mães que, em caso de dor, podem procurar o serviço para receber ajuda. No atendimento, a equipe avalia a mulher e o bebê, observa a mamada, orienta sobre pega e posicionamento, auxilia no manejo de fissuras, dor e ingurgitamento, ensina técnicas de ordenha e esclarece dúvidas sobre a produção de leite.
O serviço também promove mensalmente curso para gestantes, além de atividades de Shantala (massagem indiana para bebês) e orientações sobre alimentação complementar para bebês a partir dos seis meses. Não é necessário encaminhamento para buscar atendimento, que está disponível a todas as mulheres com dificuldades relacionadas à amamentação. O Banco de Leite também atua em conjunto com a rede municipal de saúde em ações de promoção, proteção e de apoio ao aleitamento materno nas maternidades e Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Quem pode doar?
Pode se tornar doadora a mulher que esteja amamentando ou ordenhando leite para o próprio filho, produza quantidade superior às necessidades dele, esteja saudável e atenda aos critérios de segurança estabelecidos pelo Banco de Leite.
O uso de medicamentos, por exemplo, não significa automaticamente que a mulher não possa doar. Cada situação é avaliada individualmente pela equipe, levando em consideração as condições de saúde, exames realizados durante o pré-natal ou pós-parto, medicamentos utilizados e hábitos de vida.
Depois de cadastrada, a doadora recebe toda a orientação necessária para realizar a ordenha e armazenar o leite em casa. O Banco de Leite fornece os frascos esterilizados e realiza semanalmente, ou conforme a necessidade, a retirada do leite na residência das doadoras em todas as regiões de Guarulhos.
O leite deve permanecer congelado até a coleta e pode ser armazenado no freezer ou congelador por até 15 dias. A equipe orienta cada etapa para que a doação seja incorporada à rotina da mãe de forma segura.
Cada frasco doado pode representar uma pequena quantidade para quem doa, mas é um recurso essencial para recém-nascidos que dependem do leite humano para se alimentar e se desenvolver.
O primeiro contato pode ser feito pelo telefone ou WhatsApp por meio do número (11) 2408-4991. A equipe fornece as orientações iniciais e dá início ao cadastro. Posteriormente, a mulher comparece pelo menos uma vez ao Banco de Leite para avaliação clínica e, quando necessário, coleta ou complementação de exames.
Serviço
Banco de Leite Humano de Guarulhos
Endereço: Travessa Orsi, 47 – Jardim das Hortênsias
Funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 17h
Telefone e WhatsApp: (11) 2408-4991
Fonte: PMG / Redação / Imagem: Magnific













