Novo episódio envolvendo os chamados “arrastadores” reacende preocupação com abordagens irregulares a passageiros e leva Guarucoop a cobrar fiscalização permanente no terminal
Uma nova confusão envolvendo motoristas clandestinos foi registrada na madrugada desta quarta-feira (7), no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. O episódio, ocorrido entre a noite de terça (6) e a madrugada de quarta, envolveu os chamados “arrastadores”, pessoas que abordam passageiros nas áreas de desembarque para oferecer transporte fora dos canais autorizados.
O caso reacende um problema que já provocou operações policiais, conflitos entre profissionais do setor e investigações sobre golpes contra passageiros.
Segundo informações divulgadas pela Guarucoop, a situação voltou a se repetir depois de meses de operações e fiscalizações. A cooperativa defende que a presença das autoridades seja mantida de forma contínua no aeroporto, e não apenas durante ações pontuais.
Operações já prenderam suspeitos
Em junho, a Polícia Civil realizou a Operação Rapere, criada para investigar um grupo suspeito de extorquir passageiros no aeroporto.
A investigação começou após a análise de cerca de 30 boletins de ocorrência. Segundo a polícia, os suspeitos abordavam passageiros, inclusive estrangeiros e idosos, oferecendo falsas corridas de aplicativo ou táxi. Em alguns casos, as vítimas eram posteriormente coagidas a pagar valores muito superiores aos cobrados pelos serviços regulares.
Na primeira fase da operação, em 19 de junho, foram expedidos seis mandados de prisão temporária e seis de busca e apreensão. Três suspeitos foram presos naquele momento.
Uma semana depois, em 26 de junho, a Polícia Civil realizou a Operação Rapere 2 e prendeu um homem apontado como um dos líderes do grupo. Segundo a investigação, ele teria voltado a atuar no aeroporto mesmo após a primeira operação.
Problema já havia provocado violência
A tensão entre clandestinos e profissionais regularizados também esteve no centro de uma série de conflitos registrados em maio.
Na ocasião, uma confusão no aeroporto terminou em agressões e foi seguida por episódios de vandalismo contra táxis em diferentes endereços de Guarulhos e da capital paulista. A ocorrência levou a Guarucoop a cobrar uma atuação mais efetiva das autoridades.
A nova diretoria da cooperativa, empossada em maio para o período 2026–2028, colocou o combate aos chamados “arrastadores” entre suas prioridades. Na cerimônia de posse, o secretário municipal de Mobilidade Urbana, João Araújo, afirmou que a Prefeitura pretendia ampliar a fiscalização e buscar uma atuação conjunta com outras autoridades.
Guarucoop pede fiscalização permanente
O vice-presidente da Guarucoop, Edmílson Americano, afirma que as operações policiais demonstraram que é possível reduzir a atuação clandestina, mas considera insuficiente uma fiscalização concentrada apenas em determinados períodos.
Segundo ele, os clandestinos deixam o terminal durante operações mais intensas e retornam posteriormente.
“Quando acontece uma operação mais forte, eles desaparecem. Passam alguns dias e começam a voltar, até que a situação fique novamente fora de controle.”
Americano defende uma presença permanente das autoridades para evitar que passageiros sejam abordados por pessoas sem autorização para prestar o serviço.
A Guarucoop afirma ainda que não apoia agressões ou confrontos e orienta seus cooperados a acionar as autoridades diante de ameaças ou situações de risco.
Atenção para quem chega ao aeroporto
A questão também envolve a segurança dos passageiros. A orientação é evitar aceitar ofertas de transporte feitas por pessoas que abordam diretamente o viajante nas áreas de desembarque.
O GRU Airport informa que a Guarucoop é a cooperativa de táxis que possui concessão da Prefeitura para operar no aeroporto, com atendimento nos terminais 1, 2 e 3. A empresa informa ainda que os serviços são tabelados e funcionam 24 horas.
Motoristas de aplicativos regularmente cadastrados e autorizados não devem ser confundidos com os chamados “arrastadores”. O problema apontado pela cooperativa envolve a atuação de pessoas que abordam passageiros diretamente e oferecem transporte fora dos procedimentos autorizados.
Um problema que permanece
A nova ocorrência mostra que, apesar das prisões e operações realizadas ao longo do ano, a disputa pelo transporte de passageiros continua produzindo tensão dentro e nos arredores do maior aeroporto do país.
Para a Guarucoop, a solução passa por fiscalização contínua, investigação e atuação integrada dos órgãos de segurança, de forma a impedir que os clandestinos voltem a ocupar os espaços depois das operações.
O ponto central, segundo a cooperativa, é evitar que a próxima intervenção aconteça somente depois de uma nova briga ou de uma denúncia envolvendo passageiros.
Serviço ao passageiro
- Procure os pontos oficiais de transporte do aeroporto.
- Não aceite corridas oferecidas por pessoas que abordam passageiros diretamente no desembarque.
- Em caso de ameaça ou situação de risco, procure a segurança do aeroporto ou as autoridades policiais.
- O serviço oficial da Guarucoop funciona 24 horas nos terminais do aeroporto.
Fontes: Guarucoop, Polícia Civil de São Paulo, GRU Airport e apuração jornalística.













