Candidato à Presidência muda de posição às vésperas da votação, mas mantém defesa de maior flexibilidade nas relações de trabalho e de remuneração por hora
O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, anunciou nesta terça-feira (13) que votará a favor do fim da escala 6×1. A mudança de posição ocorre em meio à disputa pelo segundo turno das eleições e após pesquisa apontar empate técnico entre ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Levantamento PoderData/AYA divulgado nesta terça-feira mostra Flávio com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. Na rodada anterior, Flávio tinha vantagem de seis pontos; agora, a diferença caiu para dois. O cenário reforça a importância eleitoral de temas com apelo popular, como a redução da jornada de trabalho.
De crítico a favorável à proposta
Flávio vinha criticando a iniciativa do governo Lula e classificando a discussão como oportunista e eleitoreira. Em maio, afirmou que a proposta poderia elevar os custos das empresas e provocar desemprego. Também defendeu um modelo em que o trabalhador pudesse escolher a própria jornada e receber conforme as horas trabalhadas.
Nesta terça-feira, após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador justificou o apoio afirmando que a maioria dos trabalhadores brasileiros deseja o fim da escala 6×1. Ele, no entanto, reiterou a defesa de uma alternativa que amplie a liberdade de escolha sobre a jornada.
A mudança de discurso ocorre durante a campanha eleitoral, mas não há comprovação de que o resultado da pesquisa tenha sido o motivo direto da decisão. O dado permite contextualizar o momento político, sem estabelecer uma relação de causa e efeito.
Propostas diferentes para o fim da escala 6×1
O apoio anunciado por Flávio não significa adesão integral ao modelo defendido por Lula. As propostas em debate apresentam diferenças importantes sobre jornada, remuneração e negociação entre patrões e empregados.
A proposta apoiada pelo governo prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, com adoção da escala 5×2 e dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.
Já a PEC 12, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) e defendida por Flávio, prevê maior flexibilidade contratual, com possibilidade de remuneração proporcional às horas trabalhadas. Nesse formato, direitos como férias, 13º salário e FGTS também seriam calculados proporcionalmente.
A diferença é central para os trabalhadores: enquanto uma proposta estabelece a redução da jornada com preservação do salário, a outra prioriza a possibilidade de escolher a carga horária, com remuneração vinculada ao tempo efetivamente trabalhado.
Votação prevista para quarta-feira
A votação da proposta sobre o fim da escala 6×1 está prevista para quarta-feira (14), no Senado, conforme o calendário divulgado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
A posição de Flávio acrescenta um novo elemento ao debate eleitoral. A discussão, porém, não se resume ao apoio ou à rejeição ao fim da escala: o conteúdo final da proposta determinará como serão distribuídos os efeitos sobre jornada, salário, descanso e direitos trabalhistas.
Fonte: Revista Forum / | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: GPT













