O documentário investigativo NAZA, dirigido pelos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, reúne depoimentos de 24 militares e integrantes dos serviços de inteligência de Israel sobre operações na Faixa de Gaza. A produção apresenta relatos de pessoas que afirmam ter participado de ações militares nas quais a possibilidade de mortes de civis palestinos era considerada no planejamento dos ataques.
O filme conquistou o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cinema de Veneza de 2026 e provocou uma reação do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que pediu investigação e responsabilização dos participantes.
Relatos apontam uso de inteligência artificial para definir alvos
Filmado secretamente durante cerca de três anos, o documentário apresenta entrevistas realizadas à noite, em telhados de Tel Aviv. Os depoentes tiveram a aparência e a voz alteradas para preservar o anonimato, segundo a Associated Press.
Os relatos abordam sistemas de vigilância, ferramentas de inteligência artificial e procedimentos utilizados para identificar alvos associados ao Hamas. Segundo os entrevistados, esses mecanismos teriam sido empregados em ataques nos quais havia conhecimento prévio da presença de civis.
O título faz referência à expressão hebraica nezek agavi, traduzida como “dano colateral”. No contexto apresentado pelo filme, o termo está relacionado à estimativa de mortes de civis consideradas antes de determinadas operações militares.
As acusações são graves e precisam ser atribuídas aos depoimentos apresentados na produção. As Forças de Defesa de Israel contestaram a credibilidade das declarações, classificando as alegações como gerais e não verificáveis. O Exército também negou que tenha ocorrido um ataque com a previsão de 500 mortes de civis, episódio mencionado por um dos entrevistados.
Netanyahu pede investigação e punição dos participantes
Em 11 de outubro, Netanyahu solicitou às autoridades israelenses que identificassem os militares ou agentes de inteligência ouvidos no filme e investigassem possíveis crimes relacionados à divulgação de informações e a alegados danos aos interesses do país.
O primeiro-ministro também acusou a produção de prejudicar Israel. Os diretores foram alvo de críticas de integrantes do governo, que chegaram a defender medidas contra sua cidadania.
A reação abriu uma discussão sobre liberdade de imprensa, proteção de fontes e transparência em operações militares. Para os realizadores, ouvir os participantes diretamente é importante para examinar práticas que, segundo os relatos, dificilmente seriam conhecidas apenas por meio de documentos oficiais.
Onde assistir a “NAZA” no Brasil
O Instituto Moreira Salles (IMS) incluiu o documentário em sua programação de cinema. Na unidade da Avenida Paulista, em São Paulo, estão anunciadas sessões em 14 de outubro, às 20h; 18 de outubro, às 16h; 31 de outubro, às 14h; e 1º de novembro, às 18h. A classificação indicativa é de 14 anos, e a duração é de 80 minutos.
Os horários podem sofrer alterações. Consulte a programação e a disponibilidade de ingressos diretamente no site oficial do IMS.
Fontes: AP News, The Guardian, The Washington Post e Instituto Moreira Salles / Imagem: Um homem palestino carregando uma criança corre após um relato de ataque israelense na área de Mawasi, em Khan Yunis, em 14 de setembro de 2026 — Foto: BASHAR TALEB / AFP













