Coalizão Vida em Conta, formada por cerca de 140 economistas e 70 organizações, propõe tarifa zero no transporte público, fim da escala 6×1 sem redução salarial e maior tributação dos mais ricos. Documento também aborda serviços essenciais e desenvolvimento sustentável
Uma coalizão formada por cerca de 140 economistas e 70 organizações da sociedade civil apresentou o documento “10 Propostas para um Novo Ciclo de Desenvolvimento no Brasil”, com medidas para orientar as políticas públicas do próximo governo federal. A iniciativa Vida em Conta pretende levar as propostas às campanhas dos dois candidatos à Presidência, com foco na redução das desigualdades e na melhoria das condições de vida da população.
O documento reúne sugestões econômicas e sociais que envolvem despesas familiares, mobilidade urbana, mercado de trabalho, tributação e investimentos públicos. A coalizão reconhece avanços recentes no combate à fome e à pobreza, na geração de empregos e na redução da inflação, mas aponta desigualdades persistentes, riscos climáticos e dependência tecnológica como desafios para o país.
Transporte público e custo de vida
Uma das principais propostas é criar um Fundo Nacional de Mobilidade Urbana para implantar progressivamente a tarifa zero no transporte coletivo. A prioridade seria melhorar a ligação entre periferias e centros urbanos, ampliar a integração metropolitana e incentivar sistemas de baixa emissão de poluentes.
O documento também defende medidas para reduzir o peso de despesas como moradia, energia e transporte no orçamento das famílias. A intenção é ampliar a renda disponível para outras necessidades, especialmente entre os brasileiros que comprometem uma parcela significativa dos ganhos com gastos essenciais.
Fim da escala 6×1 e valorização da renda
Na área trabalhista, a coalizão propõe regulamentar o fim da escala 6×1 sem redução salarial, com regras que garantam tempo efetivo para descanso, saúde, lazer e convivência familiar.
Outra medida prevê a manutenção de aumentos do piso nacional acima da inflação, preservando sua referência para aposentadorias e benefícios sociais.
Tributação e investimentos públicos
Na área fiscal, as organizações defendem o aumento da alíquota mínima efetiva do Imposto de Renda para os mais ricos, o combate à evasão fiscal e a revisão de benefícios tributários considerados ineficientes.
A coalizão também propõe rever subsídios e incentivos fiscais, direcionando recursos para adaptação climática, infraestrutura digital e desenvolvimento industrial, com metas verificáveis e contrapartidas relacionadas à geração de empregos.
Saúde e segurança pública no debate
Embora o documento priorize medidas econômicas, sociais e ambientais, temas como saúde e segurança pública também são fundamentais para avaliar as propostas dos candidatos. A iniciativa defende a ampliação de serviços de cuidado, incluindo creches e centros-dia, além da valorização dos profissionais responsáveis por essas atividades.
O documento, entretanto, não apresenta saúde e segurança pública como eixos específicos entre as propostas detalhadas pela Agência Brasil. Por isso, eventuais compromissos nessas áreas devem ser verificados diretamente nos programas de governo e nas declarações dos candidatos.
A coalizão sustenta que a redução das desigualdades depende de planejamento de longo prazo, financiamento adequado e políticas capazes de transformar o crescimento econômico em melhores condições de vida. As propostas representam reivindicações da sociedade civil e não significam que os candidatos já tenham assumido compromisso com sua implementação.
Fonte: Agência Brasil / Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil













