Após inicialmente evitar uma resposta direta ao desafio do adversário, candidato do PL anuncia disposição para divulgar dados financeiros e telefônicos, mas exige acesso a informações de familiares, assessores, Instituto Lula e estruturas ligadas ao governo
Flávio Bolsonaro (PL) mudou de posição nesta quarta-feira (21) sobre o desafio lançado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura de sigilos bancários e telefônicos. Durante ato de campanha em Guarulhos, ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador afirmou que aceita abrir seus dados, mas estabeleceu condições adicionais para que a medida seja aplicada também ao adversário.
A mudança ocorre um dia depois de Lula protocolar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para divulgar seus sigilos bancário, fiscal e telefônico dos últimos oito anos, incluindo informações de familiares e de uma empresa ligada a ele. A proposta foi apresentada sob a condição de que Flávio adotasse providência equivalente.
Flávio amplia a lista de exigências
O candidato do PL quer que a divulgação alcance, além de Lula e de seus familiares, o Instituto Lula, o assessor presidencial Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e pessoas e organizações que considera relevantes para esclarecer relações financeiras e políticas do presidente.
Flávio também pediu informações sobre o cartão corporativo da Presidência e da primeira-dama Janja, registros de reuniões com o banqueiro Daniel Vorcaro e dados relacionados a empresas e pessoas próximas ao petista. O documento apresentado por sua campanha inclui ainda registros de voos e de acessos a prédios oficiais.
A extensão das exigências altera o alcance do confronto inicialmente proposto por Lula, que previa a abertura recíproca dos dados dos dois candidatos, familiares e empresas relacionadas. A iniciativa de Flávio amplia o debate para informações de terceiros e registros administrativos, alguns dos quais não estão sob controle direto dos candidatos.
Estratégia eleitoral na reta final
A mudança de postura pode ser interpretada como uma tentativa de evitar que a recusa em aceitar o desafio de Lula se transforme em desvantagem política diante dos eleitores indecisos. Essa é uma leitura estratégica do movimento, não uma justificativa confirmada pela equipe de campanha.
Ao condicionar a divulgação dos próprios dados a uma lista mais ampla de informações do adversário, Flávio também desloca parte do debate para as exigências que Lula estaria disposto a aceitar.
O pedido inicial de Lula foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, e o ministro André Mendonça foi sorteado relator. Até o momento, a apresentação dos documentos não significa que os sigilos tenham sido efetivamente quebrados ou que todas as informações exigidas estejam autorizadas para divulgação pública.
A disputa sobre transparência patrimonial passa, assim, a integrar a estratégia dos dois candidatos nos últimos dias antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
Fontes: CNN Brasil e UOL Notícias | Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa | 📷: Gemini













