O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil nesta terça-feira (27) acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, segundo confirmaram aliados ao Correio Braziliense. A saída ocorre dois dias após a derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de todos os passaportes do senador, inclusive o diplomático.
A informação sobre a saída do país foi revelada inicialmente pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, e confirmada por pessoas próximas à família. O senador estaria em voo rumo aos Estados Unidos, com previsão de chegada à Flórida na tarde desta terça-feira.
A rota: passagem pela Argentina e dúvidas sobre o registro oficial
A Polícia Federal apura se Flávio cruzou a fronteira com a Argentina e embarcou em um voo particular a partir de Puerto Iguazú. Informações publicadas pelo site argentino Infobae indicam que o senador teria utilizado um jato Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly S.A., com decolagem prevista para as 2h da madrugada.
O piloto Mauro Mattosinho confirmou à Folha de S.Paulo que o nome de Flávio constava na lista de passageiros do jato estacionado no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú. No entanto, o governo argentino, por meio da Direção Nacional de Migrações, afirmou que não há registro da entrada do senador no país. O porta-voz presidencial Adrián Ravier declarou que não houve nenhum pedido de asilo político por parte de Flávio à Argentina.
A Polícia Federal confirmou que o senador não passou por nenhum ponto regular de migração brasileiro, ou seja, não há registro formal de saída do território nacional.
O pedido de asilo político a Trump
Aliados de Flávio informaram que o senador pretende entrar oficialmente com um pedido de asilo político junto ao governo de Donald Trump assim que chegar em território americano. O governo Trump já teria sido notificado sobre a chegada do senador e de sua família. A previsão é de que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, o encontre na Flórida na quarta-feira (28).
O pedido de asilo, no entanto, depende de análise das autoridades dos Estados Unidos e não assegura, por si só, a concessão do benefício. Não há confirmação oficial, até o momento, sobre a formalização do pedido ou sobre a chegada de Flávio ao território americano.
O contexto judicial: investigação no STF e passaportes cancelados
A saída do país ocorre em meio a uma investigação no STF, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, que apura suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em transações envolvendo o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Na segunda-feira (26), Moraes determinou que o senador entregasse todos os passaportes e o proibiu de deixar o país. O prazo terminou às 11h desta terça-feira (27), e os documentos não foram apresentados.
Diante do descumprimento, a Polícia Federal cancelou os passaportes de Flávio e informou que vai oficiar Moraes sobre a ordem judicial não cumprida. Não há, até o momento, registro formal de saída do senador do país nos sistemas oficiais de imigração.
Reações e desdobramentos
O coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), chegou a negar a intenção de fuga, enquanto aliados do partido demonstravam dificuldade para obter informações sobre o paradeiro do senador ao longo do dia. A assessoria de Flávio informou que não sabia de sua localização e que não conseguia contato com ele.
A eventual concessão de asilo pelos Estados Unidos e os efeitos políticos da saída de Flávio do país ainda dependem de confirmação oficial e de novos desdobramentos ao longo dos próximos dias.
Fonte: Igor Gadelha/Metropoles /













