Às vésperas do feriado de Finados, motoristas que vão para o litoral ou o interior devem revisar os pneus e desconfiar de ofertas sem procedência. Remoldados, recapados, recauchutados, usados e vulcanizados têm diferenças importantes para a segurança.
Com a proximidade do feriado prolongado de Finados, muitos motoristas se preparam para viajar para o litoral ou o interior paulista. A mudança no calendário de parte dos servidores públicos, com a transferência do ponto facultativo de quarta-feira, 28 de outubro, para sexta-feira, dia 30, pode favorecer emendas e aumentar as oportunidades de deslocamento para quem está abrangido pela medida.
Antes de colocar as malas no carro, porém, existe um item que não deve ser deixado para depois: os pneus. Desgastados, danificados, inadequados ou sem procedência confiável, eles podem comprometer a aderência, a estabilidade e a frenagem, especialmente em rodovias molhadas.
A Polícia Rodoviária Federal recomenda verificar a calibragem, as condições dos pneus e do estepe antes de viajar, mesmo em trajetos curtos.
O mercado oferece pneus novos de diferentes fabricantes, modelos usados e produtos reformados. Nem todos apresentam o mesmo histórico, e nem toda oferta barata representa uma economia segura. O consumidor precisa entender o que está comprando e verificar se o produto atende às exigências legais.
Pneu novo, original de fábrica
É produzido para uso sem reforma anterior. Deve apresentar identificação do fabricante, medidas, índices de carga e velocidade e as demais marcações exigidas. Na compra, confira a certificação aplicável, a procedência, a compatibilidade com o veículo e a nota fiscal.
Risco a observar: ser novo não significa que qualquer modelo serve para qualquer carro. Medidas, capacidade de carga e velocidade devem respeitar as especificações do veículo.
Pneu remoldado ou remold
É um pneu usado que passa por reforma com substituição da banda de rodagem, dos ombros e da superfície dos flancos. O processo pode deixar a aparência semelhante à de um pneu novo, mas a carcaça tem um histórico anterior de uso.
Risco a observar: o consumidor pode não conhecer todas as condições a que a carcaça foi submetida antes da reforma. É fundamental verificar a identificação do reformador, o selo de conformidade e as marcações obrigatórias.
Pneu recapado
Nesse processo, a reforma substitui a banda de rodagem, que é a parte em contato direto com o solo. É um procedimento tradicional no segmento de pneus de carga, cujas carcaças podem ser projetadas para esse tipo de operação.
Risco a observar: uma reforma só é adequada quando a carcaça está em condições de recebê-la e o serviço segue os requisitos técnicos. Não basta observar se o desenho da borracha parece novo.
Pneu recauchutado
A recauchutagem substitui a banda de rodagem e também os ombros do pneu, a região de transição entre a banda e as laterais.
Risco a observar: danos estruturais anteriores podem comprometer a segurança mesmo depois da reforma. A procedência e a conformidade do serviço são fundamentais.
Pneu meia-vida ou usado
É um pneu que já rodou e é revendido para continuar em uso. A expressão “meia-vida” é comercial e não garante que o produto tenha exatamente metade da vida útil restante.
Risco a observar: o desgaste pode ser irregular e a carcaça pode ter sofrido impactos, cortes ou reparos. Antes da compra, é necessário avaliar a banda de rodagem, as laterais, a idade, o histórico conhecido e a compatibilidade com o veículo. Uma aparência aceitável não comprova, sozinha, a segurança.
Pneu vulcanizado ou reparado
A vulcanização é um processo que utiliza calor e pressão para promover a união de materiais de borracha. No comércio, o termo costuma ser usado para descrever determinados reparos em pneus danificados. Não é sinônimo de recapagem, recauchutagem ou remoldagem.
Risco a observar: nem todo dano pode ser reparado com segurança. Cortes na lateral, danos estruturais ou perfurações fora das áreas reparáveis podem exigir a substituição do pneu. A avaliação deve ser feita por profissional qualificado, conforme as orientações técnicas aplicáveis.
Pneu irregular, falsificado ou sem procedência
É o produto cuja origem, identificação ou conformidade não pode ser comprovada, ou que apresenta indícios de falsificação, adulteração ou comercialização irregular. Pode ser anunciado como novo, usado ou reformado.
Risco a observar: marcações duvidosas, ausência de identificação obrigatória, selo suspeito, falta de nota fiscal ou vendedor que não informa a procedência são sinais para interromper a compra e buscar esclarecimentos. Não é possível classificar um pneu como clandestino apenas pelo preço ou pela aparência.
O que diz a legislação
A Resolução Contran nº 913/2022 estabelece regras para o uso de pneus. Entre elas, proíbe a circulação com pneus cujo desgaste tenha atingido os indicadores ou cuja profundidade remanescente da banda de rodagem seja inferior a 1,6 milímetro.
A norma também proíbe pneus reformados por recapagem, recauchutagem ou remoldagem em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos, assim como no eixo dianteiro de ônibus e micro-ônibus.
O Inmetro orienta que pneus reformados sejam identificados como “recauchutado”, “recapado” ou “remoldado”, conforme o processo, e apresentem as marcações exigidas. A presença dessas informações e do selo de conformidade deve ser conferida antes da compra.
Checklist antes de pegar a estrada
Calibragem: ajuste a pressão conforme o manual do veículo, de preferência com os pneus frios. Não use uma pressão genérica para todos os carros.
Desgaste: confira os indicadores TWI e procure um profissional se houver dúvida sobre a profundidade dos sulcos.
Laterais: procure bolhas, cortes, rachaduras, deformações ou sinais de dano.
Desgaste irregular: pode indicar problemas de alinhamento, balanceamento, suspensão ou calibragem.
Estepe: confira o estado, a calibragem e se ele é compatível com o veículo.
Compra: peça nota fiscal, confira as marcações e verifique a procedência do pneu e do reformador.
Chuva: reduza a velocidade e aumente a distância de segurança. Pneus em boas condições ajudam a reduzir riscos, mas não eliminam a possibilidade de aquaplanagem.
A PRF também recomenda verificar iluminação, limpadores de para-brisa, equipamentos obrigatórios e condições gerais do veículo antes da viagem.
Economia que não pode custar uma vida
O preço é importante para quem precisa trocar os pneus, mas a decisão não deve ser baseada apenas no valor anunciado. Um produto barato, sem procedência ou inadequado para o veículo pode representar um risco para o motorista, os passageiros e os demais usuários da rodovia.
A melhor prevenção é fazer uma inspeção antes de sair, procurar um estabelecimento de confiança e substituir pneus que não ofereçam condições seguras de uso. Em viagens de feriado, alguns minutos de verificação podem evitar que o passeio termine em acidente.
Na estrada, não basta chegar ao destino. É preciso voltar para casa em segurança.
Fonte: Concepção do Texto e Imagem: Eraldo Costa / Redação / Imagem: IA/Gemini













