Auditor não tem histórico familiar “Network de berço”
Artur Gomes da Silva Neto, auditor fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), foi identificado como o principal articulador de um esquema bilionário de fraude tributária envolvendo grandes empresas varejistas, como Ultrafarma e Fast Shop. Curiosamente, Artur foi o melhor aluno de sua turma no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), uma das instituições mais prestigiadas do país.
Formação acadêmica e trajetória profissional
Artur Gomes da Silva Neto cursou o ITA, onde se destacou como o melhor aluno de sua turma. Sua trajetória acadêmica e profissional foi inicialmente marcada por conquistas significativas, incluindo palestras para vestibulandos sobre sua aprovação em instituições renomadas como o ITA, o Instituto Militar de Engenharia e o curso de Medicina da USP.
Na Sefaz-SP desde 2006, chegou ao cargo de supervisor da Diretoria de Fiscalização (Difis), responsável por controlar outros auditores. Segundo o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), ele “dominava praticamente todas as etapas” do processo de liberação de créditos, do preparo de documentos ao aval final
“Network de berço”:
- Essa expressão enfatiza a rede de contatos e relacionamentos construída desde o nascimento, através da família e do círculo social em que a pessoa cresceu.
- Refere-se a um tipo de capital social que pode trazer vantagens em várias áreas da vida, como educação, emprego e relacionamentos.
- Pode ser usada para descrever alguém que sempre teve acesso a pessoas influentes e oportunidades que a maioria não teria.
Origem familiar e enriquecimento ilícito
Auditor alvo de investigação por propina tinha um salário de R$ 33,8 mil, e provém de uma família simples. Sua mãe, Kimio Mizukami da Silva, professora aposentada, teve um aumento patrimonial significativo após a constituição da empresa Smart Tax Consultoria e Auditoria Tributária, registrada em seu nome.
Declaração da mãe
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) identificou que Kimio atuava como laranja no esquema de corrupção liderado por seu filho, utilizando a empresa para lavar o dinheiro proveniente das propinas recebidas por Artur. O patrimônio de Kimio saltou de R$ 411 mil em 2021 para R$ 46 milhões em 2022 e R$ 2 bilhões em 2024, conforme declarado em suas declarações de Imposto de Renda
O esquema criminoso
De acordo com o MP-SP, Artur liderava um esquema de ressarcimento irregular de créditos de ICMS, manipulando processos para liberar valores superiores aos devidos e agilizar pagamentos em troca de propinas. O esquema teria movimentado mais de R$ 1 bilhão desde 2021.
Prisões e desdobramentos
Na Operação Ícaro, deflagrada pelo MP-SP, foram presos Artur Gomes da Silva Neto, o empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, e Mário Otávio Gomes, diretor da Fast Shop. A operação revelou que Artur possuía o certificado digital da Ultrafarma, indicando que ele mesmo realizava requerimentos junto à Secretaria da Fazenda em nome da empresa.
Operação Ícaro
O caso destaca a complexidade e a ousadia do esquema criminoso, envolvendo profissionais altamente capacitados e empresas de grande porte. A prisão dos envolvidos e o bloqueio de seus bens representam um passo importante na luta contra a corrupção e a impunidade no setor público e privado.
Fonte: G1 / Redação eraldo Costa / Imagem: Divulgação














