Entenda a polêmica, as versões conflitantes e a ironia do episódio para o sistema de saúde que ele próprio critica.
A ironia? O vereador, que fiscaliza o ‘inchaço’ da saúde em Guarulhos, agora ajuda a aumentar a fila do pronto-socorro. Guarulhos presenciou, na última segunda-feira, um curioso caso de física política: para cada ação de fiscalização, há uma reação de igual ou maior superlotação. O palco foi a Unifesp, e o protagonista, o vereador Kleber Ribeiro (PL), cuja visita ao campus universitário não apenas gerou um roteiro de agressões e feridos, mas também uma aula prática de como alimentar o exato problema que se pretende solucionar.
Ofício, Tumulto
A premissa era simples: o parlamentar, cercado, como de costume, por sua equipe de seguranças e cinegrafistas foi à universidade protocolar um ofício. Este não é um evento isolado. O vereador Kleber Ribeiro possui um histórico de interações polêmicas com a comunidade acadêmica da Unifesp, utilizando o campus como cenário para produções de conteúdo que, segundo estudantes, distorcem a realidade da instituição, e que em episódios anteriores já haviam gerado atritos.




O evento ganhou sua trilha sonora quando os percussionistas da bateria universitária se aproximaram e, segundo relatos, um empurrão de um segurança em um integrante da banda transformou o ambiente acadêmico em um octógono.
O resultado da desinteligência foi escrito em laudos médicos. A equipe do vereador reportou um assessor ferido, enquanto, do lado dos estudantes, pelo menos três precisaram ser levados às pressas para o hospital com escoriações e sangramentos. A universidade, por sua vez, abriu um “Boletim de Ocorrência” (BO), levando o caso à estância da “vara” da justiça.

O Fiscalizador que Incha hospitais
Aqui, a narrativa ganha contornos de uma fina ironia. Kleber Ribeiro está escrevendo parte de seu capital político como um ferrenho fiscalizador do sistema de saúde municipal, apontando com frequência as filas, a demora e o “inchaço” no atendimento. Contudo, o episódio na Unifesp o colocou em uma posição paradoxal: a de fornecedor de matéria-prima para o caos hospitalar que ele denuncia.
Ao se envolver em um confronto que resultou em múltiplas vítimas, o parlamentar contribuiu diretamente para o aumento da demanda no pronto-socorro. Fica a pergunta no ar, ecoando pelos corredores lotados que ele costuma filmar: com que autoridade se pode cobrar agilidade de um sistema que você mesmo ajudou a sobrecarregar minutos antes? É um ciclo curioso, onde a performance política cria a própria pauta de sua fiscalização, encaminhando novos pacientes para um sistema que ele próprio critica.
Créditos:G7News/@sociologiamarginal / Redação: Eraldo Costa / Imagem: Divulgação/IA/g1/Reprodução














