Há 40 anos, a genialidade de Joaquín Rodrigo executada por John Willians, acompanhado pela orquestra de Philadelphia, encantou um garoto que arriscava os primeiros acordes. Presenteado com um violão e matriculado em uma escola de música pela mãe anos antes, Flávio Apro foi fisgado logo nos primeiros segundos pela sonoridade robusta e energética e entendeu, naquele instante, que o violão faria parte de sua vida para sempre.

“Fiquei completamente hipnotizado pelo virtuosismo e facilidade de execução do violonista australiano numa obra tão desafiadora”, lembra Apro, atualmente professor do curso de Música da Universidade Estadual de Maringá (UEM), no Paraná.
Concierto de Aranjuez no Teatro Adamastor
Estamos falando do Concierto de Aranjuez, obra clássica do espanhol nascido em 1901 e escolhida por Apro para se apresentar junto com a Orquestra Sinfônica de Guarulhos no dia 31 de outubro, sexta-feira, no Teatro Adamastor, às 20 horas.
No dia 24, Apro ministrará a palestra “Aranjuez para leigos” aos alunos do conservatório, espécie de manual para ouvir a obra-prima de Rodrigo. A escolha, sejamos justos, foi de Victor Castellano, professor de violão do Conservatório de Guarulhos, escola onde Apro ensinou o mesmo instrumento por dois anos.
Em uma conversa despretensiosa entre os dois amigos, Aranjuez foi sugerida como a obra perfeita para comemorar as quatro décadas de Apro como violonista.
Um projeto nacional e um instrumento especial
Começando pela cidade paulista, a ideia do músico é percorrer o país com o concerto. Nas palavras de Apro, enfrentar Aranjuez é uma das maiores conquistas para qualquer violonista, o que exige, além da plenitude artística, companhias de excelência.
Uma delas, escolhida à mão (com o perdão do trocadilho) é o Santo Graal: um Ignacio Fleta 1969. Um dos luthiers mais reverenciados do violão clássico, o espanhol Fleta ganhou reputação não apenas em razão de um único ano ou modelo, mas a um período de maturidade técnica e artística, especialmente na década compreendida entre 1960 e 1970, considerada o auge de sua obra.
De acordo com o violonista, esta não é uma escolha, mas uma declaração de intenções. “É a busca pela expressão máxima da obra com o instrumento feito para ela”.
Uma experiência arrebatadora para o público
Em outras palavras, Apro propõe-se a despertar nos espectadores a mesma experiência arrebatadora que sentiu ao ouvir o disco de Willians presenteado pelo amado tio Ione nos distantes anos 1980, momento em que iniciou sua “escalada ao Himalaia”, o domínio lento e constante da música de concerto.
Serviço
Concierto de Aranjuez, com Flávio Apro e a Orquestra de Guarulhos
31/10/2025, Teatro Adamastor – 20 horas
Entrada gratuita
Fonte: créditos: Juliana Daibert / Imagem: Divulgação














